Greve geral, pedido para deixar cair pacote laboral e critica à precariedade

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Num Dia do Trabalhador inevitavelmente marcado pela reforma laboral proposta pelo Governo, a CGTP confirmou a decisão de convocar uma greve geral para o dia 3 de Junho. Para já, a UGT, não excluindo a adesão à paralisação, quer esperar pela reunião da concertação social de 7 de Maio. Do lado dos partidos, José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, instou, num artigo de opinião no PÚBLICO, o primeiro-ministro a retirar a “contra-reforma” da legislação laboral. E o Presidente da República pôs-se ao lado dos trabalhadores, criticando a precariedade.

O anúncio de que a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) convocará uma nova greve geral foi feito pelo secretário-geral da central sindical. Em entrevista à RTP Notícias, num dia que “é um momento de festa e de comemoração”, mas também de “luta”, Tiago Oliveira confirmou que “a CGTP vai convocar nesta sexta-feira, no 1.º de Maio, todos os trabalhadores para aderirem a uma grande greve geral no próximo dia 3 de Junho”.

“Vamos realizar uma grande greve geral. Vamos continuar a trilhar este caminho de denúncia, mas também de luta por uma vida melhor. Vamos continuar a trilhar este caminho de exigência da retirada do pacote laboral e que comecemos a discutir, isso sim, questões que permitam aos trabalhadores sair das circunstâncias em que hoje se encontram”, afirmou o secretário-geral da CGTP. A última greve geral (a primeira em 12 anos) aconteceu a 11 de Dezembro do ano passado, já então em protesto contra a reforma laboral proposta pelo executivo de Luís Montenegro.

Do lado da União Geral de Trabalhadores (UGT), o secretário-geral, Mário Mourão, assinalou que este é ainda o tempo de negociar e, sem excluir participar na paralisação, manteve a incógnita quanto à adesão. “Tenho uma reunião no dia 7 na concertação social. Portanto, a seu tempo, nós analisaremos quais são as respostas que temos de dar relativamente ao processo de negociação que está em curso sobre o projecto do Governo”, disse, vincando que, “neste momento, não está excluída nenhuma forma de luta da UGT. Ainda não é o momento de fazer o anúncio de qualquer iniciativa de resposta a este pacote laboral”.

Carneiro pede retirada do pacote

Pelo PS, José Luís Carneiro assinalou o 1.º de Maio com um artigo de opinião no PÚBLICO, em que, pedindo ao primeiro-ministro que “revele a lucidez e a coragem que o país lhe exige”, desafia Luís Montenegro a retirar “a proposta de contra-reforma laboral”.

Numa altura em que o primeiro-ministro já assume que o país não vai “acabar” se não houver alterações ao código do trabalho, o secretário-geral do PS argumenta que este ano o Dia do Trabalhador é celebrado “num contexto marcado pela ofensiva do Governo de ataque aos direitos laborais”, através de uma “contra-reforma laboral, que não constava do programa eleitoral e que não foi verdadeiramente discutida em campanha”, e que, por isso, nasceu “fragilizada”.

Já o Presidente da República, que tem apelado ao diálogo entre o Governo e os parceiros sociais, veio colocar-se ao lado dos trabalhadores, garantindo que a Presidência “nunca estará indiferente às vossas causas”.

Numa nota divulgada pela Presidência da República, António José Seguro – que, na campanha presidencial, disse que vetaria o pacote laboral caso não existisse acordo na concertação social – criticou a precariedade, sublinhando que “o trabalho tem de compensar”.

“É através do trabalho” que cada um “constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade”, lê-se na nota, que acrescenta que o Dia do Trabalhador não é apenas uma data no calendário, mas a “afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”. com Lusa

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