Agentes da unidade da Guardia Civil especializada em crimes de corrupção (UCO) entraram, pelas 9h da manhã desta quarta-feira, na sede central do Partido Socialista Operário de Espanha (PSOE), na rua Ferraz, em Madrid, para pedir documentação no âmbito da investigação ao chamado caso Leire, avança o jornal espanhol La Vanguardia.
Entretanto, soube-se também que o juiz da Audiência Nacional à frente deste caso, Santiago Pedraz, constitui arguido o ex-dirigente socialista Santos Cerdán (um dos antigos braços direitos do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, acusado, no ano passado, de corrupção, crime organizado e tráfico de influências no âmbito de outro caso), o ex-vice presidente da Junta da Andaluzia, Gaspar Zarrías, o empresário Javier Pérez Dolset e Ana María Fuentes, membro da secretaria de organização do PSOE, que gere o funcionamento interno do partido, avança o La Sexta, que cita fontes da investigação.
Antes disso, já o El País tinha avançado que estavam a ser feitas buscas em Madrid às casas dos ex-dirigentes socialistas Gaspar Zarrías e Santos Cerdán, bem como do empresário Javier Pérez Dolset.
Todos eles estão a ser investigados por supostos pagamentos, a partir da cúpula do partido socialista a Leire Díez, antiga militante do partido e que dá nome ao caso. Investigada por delitos de tráfico de influências e subornos, Díez foi apanhada, em 2025, em escutas numa suposta tentativa de conseguir informações que desacreditassem responsáveis da Guarda Civil e da Justiça (especialmente os que estavam ligados ao caso Koldo, que afecta o antigo ministro dos Transportes socialista, e Begoña Goméz, casada com Sánchez), de acordo com os áudios revelados por vários meios de comunicação espanhóis. Em específico, Díez — que sempre negou actual a pedido do partido — procurava informação sobre o tenente-coronel da Guarda Civil António Balas.
Formada em comunicação, a antiga militante do PSOE escudou-se no facto de procurar informações para escrever um livro com uma investigação jornalística ao negócio dos hidrocarbonetos. Mas, assim que se soube do conteúdo das escutas, o PSOE desvinculou-se publicamente dela e só Santos Cerdán admitiu que a conhecia há anos. No âmbito dessa polémica, Leire Díez entregou uma pen com a informação que teria recolhido na sede do partido, na rua Ferraz.
A operação na sede do PSOE, que ainda estava fechada quando os agentes chegaram, terá sido solicitada pelo Ministério Público Anticorrupção e por ordem do juiz do Tribunal Nacional Santiago Pedraz, consistindo num pedido judicial de informações, que exige notificação prévia e visa elementos específicos, ao contrário de buscas, realizadas sem notificação e com o objectivo de recolher todo o tipo de provas. Na manhã desta quarta-feira, o local atraiu jornalistas e cidadãos, que passaram de carro a gritar coisas como “ladrões” ou “ratos”, de acordo com o El País.
Em Dezembro, a UCO deteve Díez e Vicente Fernández, ex-presidente da Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) e um dos ex-homens de confiança da ministra das Finanças, María Jesús Montero, no âmbito de uma investigação sobre corrupção. Ambos saíram depois em liberdade condicional.
Entretanto, o porta-voz do PSOE, Montse Mínguez, garantiu, em declarações à Catalunya Radio, que o partido pretende colaborar com as autoridades, manifestando-se tranquilo com a presença dos agentes na sede madrilena. “O Partido Socialista é diferente do PP e já o demonstrámos em muitas ocasiões. Aqui não há destruição de provas. E, por isso, toda a informação que for solicitada será, portanto, fornecida.”
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