Guerra no Irão reaviva a procura por painéis solares nos telhados da Europa

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A procura por sistemas fotovoltaicos que possam ser instalados nos telhados das casas aumentou em toda a Europa desde o início da guerra do Irão. As famílias tentam proteger-se da subida dos preços da electricidade provocada pela maior perturbação energética global da história.

O conflito, iniciado pelo ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, e que levou ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás consumido a nível mundial, fez disparar os preços do petróleo, do gás e da electricidade, afectando tanto as empresas como os agregados familiares.

Esta situação levou à aceleração dos esforços para encontrar alternativas mais baratas e reduzir a exposição à volatilidade dos mercados energéticos.

A energia solar é uma dessas opções. Para algumas empresas, a procura mais do que duplicou desde o início da guerra, no fim de Fevereiro, de acordo com entrevistas a mais de meia dúzia de grossistas de equipamento energético e serviços fornecedores de energia renovável na Alemanha, Reino Unido e Países Baixos.

É um impulso bem-vindo para uma tecnologia que representa cerca de um terço da capacidade total de geração eléctrica na Europa, mas que viu o ritmo das novas instalações diminuir no ano passado, pela primeira vez em quase uma década.

A Europa ainda precisa de fazer muito mais para reduzir a sua dependência das importações de petróleo e gás, sublinham os defensores do investimento nas renováveis.

A “armadilha” da dependência

“A guerra apenas expôs o problema que sempre existiu: a dependência energética”, afirmou Janik Nolden, co-fundador da Solarhandel24, uma empresa alemã de venda grossista de equipamento fotovoltaico. Os governos europeus, acrescentou, “caíram numa armadilha”.

A Solarhandel24 afirmou que as vendas líquidas mais do que triplicaram em Março, para quase 70 milhões de euros, em relação ao ano anterior, e que deverão triplicar novamente este mês. A empresa planeia contratar 85 pessoas, aumentando o pessoal em um terço, para fazer face à procura de serviços.

Para garantir o fornecimento, a Solarhandel24 armazenou cerca de meio milhão de painéis solares nas últimas semanas. É uma decisão dispendiosa, admite Nolden, mas que considera compensadora, dado o potencial de aumento das vendas líquidas para cerca de 400 milhões de euros em 2026, contra cerca de 250 milhões de euros no ano passado.

A Enpal, na Alemanha, regista uma tendência semelhante. A empresa de energia disse que as encomendas aumentaram 30% em relação ao ano anterior em Março, para 130 milhões de euros, enquanto Abril estava a caminho de um aumento de 33% para cerca de 120 milhões de euros, impulsionado pelas instalações solares em telhados.

“O que está em causa é a resiliência europeia”, afirmou o director executivo e fundador da Enpal, Mario Kohle. “Estamos a assistir a esta tendência no sector da defesa. Tal como a Europa deve ser capaz de se defender, devemos ser capazes de assegurar a nossa própria energia”.

Os dados financeiros da Solarhandel24 e da Enpal não foram comunicados anteriormente.

Embora ainda não estejam disponíveis dados agregados sobre a instalação na Europa, as associações industriais na Alemanha e nos Países Baixos confirmaram um aumento da procura desde o início da guerra.

Armazenamento caseiro

Executivos das empresas dizem que os proprietários optam cada vez mais por sistemas completos para as suas habitações, que combinam painéis solares – quase 90% dos quais são fornecidos pela China – com baterias e caixas de parede para veículos eléctricos, permitindo que a energia excedente seja armazenada e utilizada mais tarde.

Esta tendência está também a fazer aumentar a procura de tecnologias de armazenamento de energia, que, segundo Wijnand van Hooff, da Holland Solar, está a registar aumentos de procura de 40% a 50%.

“Isto não pode ser explicado por factores puramente sazonais”, afirmou Filip Thon, da E.ON, o maior operador europeu de redes de energia, que também vende sistemas solares para telhados. Os pedidos dos clientes, diz, quase duplicaram de um ano para o outro.

A subida de preços dos combustíveis fósseis fez também aumentar a factura da electricidade
ALBERT GEA/REUTERS

O aumento impulsionado pela guerra surge depois de o ritmo das novas instalações solares europeias ter abrandado em 2025, de acordo com a associação representante da indústria SolarPower Europe.

A eliminação progressiva dos regimes de apoio terá sido um factor determinante para a descida da procura residencial. As instalações fotovoltaicas em telhados custam, normalmente, entre dez mil e 20 mil euros, para uma casa de família média.

Alguns responsáveis do sector indicam que as alterações à lei das energias renováveis que a Alemanha está a preparar podem estar a ajudar a procura por este tipo de instalações.

Entretanto, subiram cerca de 50% desde o início da guerra as acções da SMA Solar, o terceiro maior fabricante de inversores solares (que convertem a energia gerada pelos painéis solares, de corrente contínua, em energia utilizável em casa, que é de corrente alternada) do mundo e que é um dos poucos produtores europeus de equipamento que ainda restam. A empresa também sentiu o aumento da procura.

Mudança estrutural?

“Vemos este crescimento da procura como uma mudança estrutural que os actuais acontecimentos geopolíticos estão a acelerar, mas não a criar”, afirma Ed Janvrin, que dirige o negócio da energia solar e do aquecimento na empresa britânica OVO Energy. As vendas de Abril nesta divisão da empresa foram cerca de dez vezes superiores às do ano anterior.

No entanto, os fabricantes chineses de energia solar afirmam que qualquer aumento da procura mundial relacionado com a guerra não deverá atenuar significativamente o excesso de capacidade do sector. A China, sozinha, tem uma capacidade de produção suficiente para satisfazer quase o dobro da procura mundial prevista para 2026.

Mesmo assim, o aumento evidencia a forma como os choques geopolíticos podem provocar uma mudança rápida do valor das energias renováveis, afirma Jannik Schall, co-fundador da empresa alemã de energias renováveis 1Komma5Grad.

A procura de energia solar durante a crise energética de 2022 tinha sido ainda mais forte, frisa. “As crises energéticas recorrentes dão razão ao sector das energias renováveis”.

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