Hegseth retira promoções na Marinha e afecta mais mulheres e homens negros

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O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, bloqueou recentemente as promoções de pelo menos sete oficiais da Marinha, numa medida que afecta desproporcionalmente oficiais mulheres e oficiais de minorias, segundo os meios de comunicação norte-americanos.

O The Philadelphia Inquirer noticiou nesta segunda-feira, 1 de Junho, que pelo menos duas das oficiais retiradas por Hegseth da lista de promoções são mulheres, e dois são homens negros. Outros três são homens brancos. As acções de Hegseth, também noticiadas pelo New York Times e Wall Street Journal, que parecem violar as regras que regem um sistema de promoções que deveria ser apolítico e baseado no mérito, foram denunciadas por quatro oficiais da defesa, actuais e antigos, que falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos sensíveis de pessoal.

Nenhuma oficial foi incluída na nova lista de oficiais de uma estrela, divulgada publicamente no final de Maio, apesar de as mulheres representarem cerca de 21% da Marinha em serviço activo. A lista parece incluir apenas dois oficiais não brancos, embora os marinheiros que se identificam como minorias raciais representem cerca de 38% da Marinha em serviço activo, adiantou o The Philadelphia Inquirer.

A remoção dos oficiais da lista de oficiais de uma estrela por Hegseth é altamente incomum, disseram os oficiais da defesa, actuais e antigos. De acordo com as normas do Pentágono, o secretário da Defesa só deve retirar os oficiais da lista por falhas morais, mentais, físicas ou profissionais que levantem dúvidas sobre a capacidade dos oficiais para liderar.

Segundo o jornal norte-americano, as acções de Hegseth são as mais recentes de uma série de demissões e intervenções de pessoal que parecem ser motivadas pelas suas políticas anti-diversidade, em vez do desempenho dos oficiais. Em conjunto, podem remodelar os altos escalões das Forças Armadas nos próximos anos.

Sean Parnell, o principal porta-voz do Pentágono, recusou-se a dizer porque é que Hegseth retirou os oficiais da lista de promoção da Marinha. “As promoções militares são concedidas àqueles que as mereceram. O departamento nunca considerará a cor da pele ou o género de um militar como um factor para promoções”, garantiu Parnell, encanto a Marinha recusou comentar o caso.

Desde que assumiu o cargo, Hegseth demitiu ou afastou quase três dezenas de oficiais militares de alta patente, no âmbito de uma campanha mais ampla destinada a expurgar o Pentágono de líderes que depreciou como “tolos”, “imprudentes” e “progressistas”. Recusou-se consistentemente a explicar por que razão optou por demitir oficiais ou retirá-los das listas de promoção.

O escrutínio sobre Hegseth recaiu fortemente sobre oficiais mulheres e de minorias, que sofreram o impacto mais forte dos despedimentos. No início do ano, Hegseth retirou também quatro coronéis, dois homens negros e duas mulheres, da lista de nomeados do Exército para general de uma estrela, contrariando as objecções do secretário do Exército, Daniel P. Driscoll. Driscoll insistiu que os oficiais tinham um longo historial de serviço exemplar e não tinham feito nada de errado.

Os oficiais seleccionados para o posto de general de uma estrela são escolhidos por uma comissão de almirantes ou generais que analisam centenas de dossiers pessoais ao longo de reuniões que podem durar duas semanas. Apenas cerca de 5% dos elegíveis para promoção a general de uma estrela são escolhidos, o que a torna a comissão mais competitiva das Forças Armadas dos EUA. As listas são depois revistas pelos secretários de cada ramo das Forças Armadas e pelo secretário da Defesa, que, de acordo com as normas do Pentágono, podem excluir nomes em circunstâncias específicas, como o surgimento de novas informações que levantem dúvidas sobre as qualificações dos oficiais para o serviço.

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