A já mítica sede da Apple em Cupertino, na Califórnia, recebe esta segunda-feira, a partir das 18h em Lisboa, a edição de 2026 da Worldwide Developers Conference, um dos acontecimentos mais aguardados do ano tecnológico. Este ano, o evento reveste-se de uma importância crucial para o futuro da marca, que tem sido criticada pela lentidão na adopção da inteligência artificial generativa.
Após os recentes anúncios da Google no seu evento I/O e da Microsoft na conferência Build, a Apple entra em campo pressionada a demonstrar que consegue recuperar o terreno perdido e surpreender os seus utilizadores com soluções práticas para a vida activa. Esta edição ganha ainda uma carga empresarial histórica, dado que será a última conferência anual liderada pelo director executivo Tim Cook antes de abandonar o cargo no final deste ano. Sob o mote oficial “all systems glow”, a empresa sugere que todos os seus sistemas estão prontos para brilhar com uma nova energia.
Uma companheira de conversação no bolso
O grande destaque do dia deverá ser a apresentação de uma Siri totalmente renovada, um projecto conhecido internamente pelo nome de código Campo. Segundo informações avançadas pela agência Bloomberg, a Apple quer transformar a sua assistente de voz clássica num verdadeiro companheiro digital dotado de inteligência artificial. A intenção é afastar a ideia de um sistema técnico frio e centrar o progresso no impacto directo na rotina das pessoas.
A nova Siri será capaz de compreender o contexto do que é exibido no ecrã do telefone, permitindo acções mais fluidas. Os utilizadores poderão pedir à assistente para resumir textos logos da Internet, organizar as mensagens electrónicas por temas de interesse ou verificar incompatibilidades de horários na agenda pessoal antes de confirmar um compromisso de trabalho.
Visualmente, as habituais luzes coloridas na base do ecrã deverão dar lugar a uma integração directa na designada “ilha dinâmica” dos novos modelos de iPhone, onde as respostas vão surgir em cartões informativos detalhados. A Apple pretende que a tecnologia pareça invisível e intuitiva, facilitando tarefas simples como a divisão de despesas domésticas através da carteira digital ou a criação de automatismos diários sem exigir qualquer esforço técnico ao utilizador.
Parcerias de peso e a despedida do hardware antigo
Para acelerar esta transformação que se pretende profunda, a empresa de Cupertino não hesitou em procurar apoio no mercado externo. Vários relatórios apontam para um acordo multimilionário com a Google para utilizar o modelo de inteligência artificial Gemini como suporte em parte da sua infra-estrutura de servidores. Andrew Cornwall, analista sénior da consultora Forrester, defendeu que a Apple pretende abrir o seu ecossistema, permitindo que os programadores liguem as suas aplicações à Siri e escolham entre os modelos da Google, da OpenAI ou da Anthropic. Esta abordagem, a confirmar-se, demonstra um pragmatismo centrado na experiência de quem usa os aparelhos, oferecendo flexibilidade em vez de impor barreiras fechadas muitas vezes associadas à marca fundada por Steve Jobs.
Como o evento é dedicado ao desenvolvimento de programas, as previsões indicam a ausência de novos computadores ou telemóveis na apresentação de hoje, para alívio temporário das carteiras dos clientes mais entusiastas. Toda a atenção estará concentrada no novo sistema operativo iOS 27 e nas novidades para computadores e relógios.
No entanto, esta actualização trará decisões difíceis para os proprietários de equipamentos mais antigos. A nova versão do MacOS deverá ditar o fim definitivo do suporte aos computadores equipados com processadores da Intel. Os modelos adquiridos antes do período da pandemia vão deixar de receber novidades, ficando confinados às actualizações de segurança anteriores. É o resultado natural da evolução técnica, que agora exige chips de desenvolvidos pela própria Apple para conseguir processar os complexos algoritmos da inteligência artificial localmente com rapidez e privacidade.
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