Cheias mortais e deslizamentos de terras na Samatra indonésia, em Novembro do ano passado, eliminaram pelo menos 7% da população total do orangotango de Tapanuli (Pongo tapanuliensis) — uma espécie criticamente ameaçada —, segundo um novo relatório divulgado na quarta-feira. As cheias e os deslizamentos provocados por um ciclone mataram pelo menos 1200 pessoas e danificaram cerca de 300 mil habitações, atribuindo os grupos ambientalistas a extensão dos danos ao rápido desflorestamento da ilha.
Pelo menos 58 orangotangos de Tapanuli, endémicos de uma área ao redor da floresta de Batang Toru, no norte de Samatra, morreram nas cheias, refere o relatório, citando um levantamento do bloco ocidental da floresta, que alberga a maioria da população total de 800 primatas.
O estudo conjunto da organização Borneo Futures, sediada no Brunei, da World Weather Attribution e da Universidade John Moores de Liverpool, publicado na revista científica Cell, não abrangeu as restantes áreas da floresta, o que significa que o número de mortos poderá ter sido ainda mais elevado.
As conclusões foram obtidas através da análise de imagens de satélite dos danos sofridos no Bloco Ocidental de Batang Toru e de registos históricos da população de orangotangos nessa zona.
As alterações climáticas provocadas pela acção humana aumentaram provavelmente a intensidade e a frequência de precipitação extrema na região do Estreito de Malaca, colocando em maior risco o habitat do orangotango de Tapanuli, segundo o estudo.
Erik Meijaard, da Borneo Futures e autor principal do estudo, explicou que as chuvas intensas saturaram de tal forma o solo que vastas encostas na floresta primária cederam em deslizamentos de terras de grande velocidade.
“Se um orangotango for apanhado por algo que se move a grande velocidade, as hipóteses de sobrevivência são muito reduzidas, pelo que isto se tornou uma preocupação séria”, afirmou.
“Este nível de perdas é significativo para uma espécie com uma população total tão reduzida. Combinado com pressões permanentes como a degradação do habitat e o conflito entre humanos e animais selvagens, torna ainda mais urgente a implementação e o financiamento adequado de um plano de acção coordenado para a espécie”, acrescentou Meijaard.
Panut Hadisiswoyo, outro investigador, apelou ao Governo indonésio para que colabore com as ONG e investigadores com o intuito de travar o declínio da população de orangotangos.
“Podemos minimizar a caça furtiva e ilegal e, assim, o número poderá provavelmente ser estabilizado”, disse, salientando que todas as partes devem prestar atenção ao uso inadequado do solo, que também contribui para a diminuição da população.
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