O Irão e os Estados Unidos voltaram a trocar ameaças e ainda não está certo se os dois países vão voltar a sentar-se à mesa das negociações antes de terminar o cessar-fogo entre ambos na próxima quarta-feira.
Os iranianos consideram que o facto de os norte-americanos terem decidido manter o seu bloqueio naval aos petroleiros iranianos é uma violação do cessar-fogo e deram um passo atrás: depois de terem declarado na sexta-feira que o estreito de Ormuz estava aberto a todas as embarcações comerciais, este sábado voltaram a encerrar a via marítima à navegação.
“Enquanto os Estados Unidos não assegurarem a plena liberdade de navegação para os navios que viajam do Irão para outros destinos e desses destinos para o Irão, a situação no estreito de Ormuz permanecerá sob controlo rigoroso e no seu estado anterior”, afirmou um comunicado do Khatam al-Anbiya, o comando militar conjunto do Irão.
A bordo do Air Force One, na sexta-feira à noite, o Presidente dos Estados Unidos tinha desvalorizado as ameaças dos iranianos de voltarem a encerrar a passagem, dizendo aos jornalistas que o Irão estava a enviar sinais contraditórios sobre um possível acordo apenas porque precisava de falar para o seu público interno.
Donald Trump assegurou que os dois países estavam praticamente à beira de assinar um acordo de paz, com a possibilidade de uma nova ronda de conversações ainda este fim-de-semana, e reforçou a ideia de que impedir o Irão de obter uma arma nuclear continua a ser a sua principal prioridade.
Trump deu quase como garantido que Teerão estava pronto para renunciar ao seu programa nuclear e abrir mão do stock de urânio enriquecido, o que foi, entretanto, desmentido pelo lado iraniano.
O Presidente norte-americano também garantiu que os EUA e Israel retomarão os seus ataques caso seja impossível assinar um acordo até final do prazo do cessar-fogo, na quarta-feira. “Teremos de voltar a lançar bombas”, afirmou Trump.
“Deixem-no falar, ele fala demais e diz coisas contraditórias dentro da mesma frase”, respondeu este sábado o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros do Irão, Saeed Khatibzadeh, a partir da Turquia, onde participou numa conferência internacional sobre segurança.
Khatibzadeh acusou os norte-americanos de estarem a “minar o processo diplomático” ao manter o bloqueio ao petróleo iraniano e assegurou que o Irão não vai estabelecer uma data para negociações com os Estados Unidos “enquanto não for possível definir o enquadramento negocial”.
“Não iremos participar em negociações que conduzam a um falhanço e que não sirvam para impedir uma nova ronda de agressões”, afirmou o ministro, acrescentando que os norte-americanos têm de perceber que “a era do colonialismo chegou ao fim”.
“Se quiserem seguir a via da paz”, os EUA têm aqui “uma oportunidade”. No entanto, “se escolherem ser agressores, verão a força do Irão. Nunca hesitaremos em responder”, ameaçou Saeed Khatibzadeh.
Reina a confusão no estreito
Para os proprietários e para as tripulações dos navios que estão presos no Golfo Pérsico, a situação é de grande confusão.
Depois do anúncio de reabertura do estreito de Ormuz pelos iranianos e das sucessivas publicações de Donald Trump nas redes sociais a garantir que os dois países estavam quase a chegar a acordo, houve uma dezena de embarcações que tentaram fazer a travessia, para logo voltarem atrás, segundo os dados da empresa de monitorização Marine Traffic consultados por diversos meios internacionais.
No entanto, este sábado de manhã, antes do novo anúncio de encerramento, pelo menos quatro petroleiros conseguiram atravessar o estreito em direcção ao Golfo de Omã, noticiou a CNN, explicando que dois dos navios tinham como destino a China e transportavam gás de petróleo liquefeito (GPL).
Mas a situação de segurança continua muito precária. A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), uma das entidades de referência no sector da segurança marítima, emitiu um alerta este sábado, revelando que recebeu um relatório de um incidente a 20 milhas náuticas a nordeste de Omã em que o comandante de um petroleiro relatou ter sido abordado por duas lanchas armadas dos Guardas da Revolução.
Sem aviso prévio, os militares abriram fogo contra o navio, embora o petroleiro e a tripulação se encontrem em segurança, refere a UKMTO.
A Al-Jazeera noticiou, entretanto, que os ataques atingiram dois petroleiros indianos, um deles, aparentemente carregado com petróleo iraquiano.
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