O Irão lançou na noite deste domingo uma nova ofensiva com mísseis contra Israel. O primeiro ataque declarado desde o cessar-fogo de Abril foi denunciado pelas forças armadas israelitas, que anunciaram ter detectado e interceptado mísseis lançados a partir do Irão em direcção a Israel, e confirmado pelas forças iranianas, que disseram ter disparado mísseis em resposta aos ataques israelitas no Líbano. Ao todo, segundo as forças israelitas, foram disparados e interceptados 10 mísseis, em menos de uma hora, que não terão feito vítimas.
O Presidente dos Estados Unidos já desencorajou um resposta militar de Israel, salientando que não houve vítimas e, segundo media israelitas, citados pela Reuters, terá havido um telefonema com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.
“Já tínhamos avisado anteriormente que, se os crimes na zona de Dahieh, em Beirute, se alastrassem, atacaríamos alvos nos territórios ocupados”, afirmou o comando militar conjunto superior dos Guardas da Revolução do Irão.
As forças militares iranianas avisaram ainda que Israel enfrentará “golpes ainda mais devastadores e lamentáveis” caso intensifique os ataques no Líbano ou responda à ofensiva deste domingo.
“A operação desta noite foi um aviso”, continuaram os Guardas da Revolução numa nota citada pela Al Jazeera em que ainda reforçaram que, “se as agressões se repetirem, as respostas serão mais amplas”, envolvendo tanto alvos norte-americanos como israelitas na região.
Momentos após a ofensiva, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, partilhou nas redes sociais uma imagem das bandeiras do Irão e do Líbano dispostas lado a lado.
Os Guardas da Revolução disseram que o ataque foi lançado contra a base aérea de Ramat David, a cerca de 20 quilómetros da cidade de Haifa, no norte de Israel, que terá sido a “origem das agressões” lançadas este domingo contra no sul do Líbano.
Lembrando que o cessar-fogo acordado com os Estados Unidos em Abril se manteria na condição de “um cessar-fogo em todas as frentes”, os iranianos alegam que norte-americanos e israelitas têm quebrado esse compromisso com ataques em território libanês e “violando o cessar-fogo ao atacar repetidamente as costas e os navios iranianos no estreito de Ormuz, no mar de Omã e no oceano Índico”.
Na sequência do ataque iraniano, o Iraque e a Síria anunciaram encerramentos temporários dos respectivos espaços aéreos.
Trump desencoraja novos ataques
Em Israel, as sirenes de alarme de ataques aéreos soaram durante cerca de 45 minutos, de acordo com os meios de comunicação no país. Ainda durante o ataque, o ministro de extrema-direita com a pasta da Segurança Nacional de Israel apelou a uma resposta agressiva do país. Nas redes sociais, Itamar Ben-Gvir disse que “Teerão tem de arder esta noite”. Amit Halevi, deputado do partido do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, defendeu que Israel deve retaliar através da “retoma imediata de combates em grande escala”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencorajou uma resposta militar de Israel e pediu um regresso do Irão à mesa de negociações, alegando que todos os lados estavam próximos de um acordo antes dos ataques.
“Certamente que isto não vai ajudar nas negociações”, afirmou Trump em declarações à Fox News. “O que sugeria ao Irão é o seguinte: já lançaram os vossos mísseis, já chega, regressem à mesa de negociações e cheguem a um acordo”, disse o chefe de Estado norte-americano, referindo não ter ficado satisfeito com os ataques de Israel em Beirute, e acrescentando que não foram concertados com os Estados Unidos.
Segundo a Axios, Trump pediu a Netanyahu que não avance com ataques contra o Irão. “Os ataques iranianos não feriram ninguém. Esperemos que Israel não vá retaliar. Se o ‘Bibi’ lhes responder, a situação vai continuar como nos últimos 47 anos, ou nos últimos três mil anos”.
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