Irão: Negociadores de Trump procuram apoio de peritos nucleares, cuja ausência tinha sido alvo de críticas

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Os enviados da administração Trump para negociações com o Irão, Steve Witkoff e Jared Kushner, tiveram esta semana uma reunião com especialistas em nuclear ao laboratório nacional de Oak Ridge, no Tennessee, que poderiam ter um papel em negociações com o Irão sobre o seu programa nuclear, segundo o site Axios.

Enquanto isso, o Irão atacou instalações americanas no Kuwait e Bahrein em retaliação por ataques americanos contra radares iranianos.

A reunião de negociadores e peritos foi vista como muito positiva por vários analistas, já que a equipa negocial americana tem sido acusada de não ter conhecimento suficiente de questões muito complexas relativas ao desenvolvimento de programas nucleares.

“Um dos factores que contribuiu para a crise actual foi a familiaridade limitada com a complexidade do desafio nuclear iraniano de alguns responsáveis envolvidos em negociações anteriores”, declarou mesmo na rede social X (antigo Twitter) Danny Citrinowicz, do Instituto Nacional de Estudos de Segurança de Israel, que tem sido muito crítico da estratégia quer dos EUA quer de Israel em relação ao Irão.

A notícia do Axios não dava mais pormenores sobre a reunião ou o grau de envolvimento dos peritos.

Um dos pontos contenciosos em negociações entre os EUA e Irão é que os EUA têm insistido num cenário em que o Irão não possa enriquecer urânio ou ter urânio enriquecido, algo que não é aceitável para o Irão. Outros envolvem o alívio de sanções e a normalização das passagens no estreito de Ormuz.

Também há a questão do material já existente, mais de 440 quilos enriquecidos a 60% (o Irão insiste que o programa nuclear tem fins pacíficos, no entanto, depois de Trump ter retirado os EUA do acordo anterior, começou a enriquecer urânio a um grau muito maior do que seria necessário para uso civil – enriquecimentos a partir de 20% têm utilização militar.

Em declarações aos jornalistas feitas na Casa Branca, Donald Trump admitiu que considerou retirar esse material do Irão numa operação militar no início da guerra mas afastou a hipótese por ser demasiado arriscada, afirmando não querer ser um Jimmy Carter (que em 1980 autorizou uma operação de resgate de reféns na embaixada americana em Teerão, operação que teve de ser abortada e resultou na morte de oito militares).

O Presidente continuou dizendo que para já o material está seguro, mas que os EUA continuam a não querer que se mantenha no Irão, algo que a República Islâmica rejeita.

As fontes ouvidas pelo Axios sobre a viagem de Witkoff e Kushner expressaram cautela sobre uma leitura exagerada do seu significado para a concretização de um acordo, já que há diferenças substanciais entre as posições dos dois lados, dizendo no entanto que a fase actual é “séria”.

O Axios diz que alguns dos peritos tinham participado em conversações em Omã ainda antes da guerra. Para Citrinowicz, o envolvimento de peritos é essencial tendo em conta que “esta é uma questão excepcionalmente complexa” e que os EUA estão a negociar com especialistas iranianos “que passaram décadas a desenvolver capacidades técnicas e negociais na questão nuclear”.

Enquanto isso, os Estados Unidos estão a preparar uma resolução condenando o Irão para o encontro da Agência Internacional de Energia Atómica, noticiou a agência Reuters.

A ideia está a ser vista com preocupação por países como a Rússia e a China, que temem efeitos nas negociações sobre o nuclear e a normalização das passagens de navios no estreito de Ormuz, já que o Irão respondeu com maior actividade nuclear ou diminuição da cooperação com a agência em ocasiões anteriores.

O vice ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou entretanto que a agência deveria evitar que os seus relatórios fossem “ferramentas de pressão política”. A agência não tem hoje acesso ao Irão, defendeu Gharibabadi, por ter preferido atacar o país e não cooperar com Teerão.

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