A proposta para um plano de paz, apresentada na sexta-feira pelo Irão aos EUA através dos seus interlocutores, ainda não convenceu Donald Trump. No sábado, o Presidente norte-americano ainda não o tinha revisto na totalidade com atenção, mas já formulava um palpite: os iranianos “ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à humanidade, ao mundo, nos últimos 47 anos”.
Não se conhece ainda a resposta que terá enviado ao Irão – Teerão confirmou que a recebeu na tarde deste domingo, sem revelar o conteúdo —, mas não é de espantar, pelos comentários, que siga a linha da negativa que enviou a um plano diferente, no início da semana.
Além disso, não rejeita a possibilidade de se voltar aos combates, rasgando o acordo de cessar-fogo alcançado em Abril. Questionado pelos jornalistas a esse respeito, no sábado à noite, respondeu que “se se portarem mal, se fizerem alguma coisa má, vamos ver”.
O Guardian cita um responsável militar israelita que disse que se estavam a preparar para possíveis ataques norte-americanos contra o Irão.
É uma versão bem diferente da que Trump dava, ainda esta semana, ao Congresso. Dizia que as hostilidades “terminaram”, algo que ninguém acreditou e que se interpretou como uma forma de não ter de pedir autorização para a operação militar, uma vez que se aproxima do prazo legal de 60 dias para o fazer.
O verniz estalou. O aumento do preço dos combustíveis, causado pelo bloqueio do estreito de Ormuz, faz crescer o coro de críticas à Administração norte-americana. Os Republicanos no Congresso estão cada vez mais impacientes e temem pelo impacto nas eleições intercalares de Novembro. A nível internacional, o Presidente norte-americano também tem feito por hostilizar os países aliados que não o ajudaram na guerra no Irão. Tudo isto faz aumentar a pressão – embora não se saiba ainda se vai forçar Trump a sentar-se à mesa das negociações.
Por enquanto, o Presidente norte-americano não mostra nenhum arrependimento: “Fiz algo que pode ser tolo, corajoso, inteligente… Fazia tudo de novo”, admitiu, num discurso aos seus apoiantes na Florida.
Irão tenta convencer sobre o seu plano
No Irão, não há ilusões. A agência noticiosa Fars, próxima do poder iraniano, citava um responsável que dizia que um regresso a um conflito aberto era provável. Este domingo, os serviços secretos dos Guardas da Revolução referiam na televisão estatal iraniana que “Trump tem de escolher entre uma operação impossível ou um mau acordo”. O mesmo comunicado também notava uma certa “mudança de tom” da China, Rússia e Europa em relação a Washington, devido à guerra.
Numa aparente tentativa de explorar esse filão, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, encetou uma ronda intensiva de conversas telefónicas com os seus homólogos de todo o mundo. Só entre sexta-feira e domingo, esteve ao telefone com líderes da Turquia, Qatar, Arábia Saudita, Egipto, Iraque, Azerbaijão, Rússia (depois da visita que também aconteceu esta semana), Coreia do Sul, Japão, França, Itália e Omã (onde também esteve na semana passada).
A todos apresentou o seu plano de 14 pontos, que, na verdade, delimita três fases principais para fazer do cessar-fogo um fim efectivo para a guerra – em apenas 30 dias. Inclui o levantamento do bloqueio do estreito de Ormuz e um novo mecanismo para o gerir (assumindo que a circulação não voltará a acontecer como antes da guerra). Teerão pede ainda o levantamento das sanções de que é alvo e o pagamento de uma compensação pelos danos da guerra, escreve a Al Jazeera. EUA e Israel ficariam ainda obrigados a não atacar o Irão nem os seus aliados.
Tal como noutros planos anteriores, fica adiada a conversa sobre o programa nuclear iraniano, uma das “linhas vermelhas” de Washington. Ignora ainda a entrega dos mais de 400 quilos de urânio enriquecido que os EUA impõem como garantia para o fim da guerra.
Ao telefone, Araghchi tentou convencer os governos de todo o mundo dos méritos do seu plano, fruto dos seus esforços diplomáticos e da vontade de acabar com uma guerra que “não começou”. Do outro lado do telefone, ouviu os conselhos de países estrangulados pelo aumento do preço da energia. Como de Itália, cujo homólogo, Antonio Tajani, lhe reiterou a urgência da reabertura do estreito de Ormuz, sem esquecer os seus limites: o programa nuclear iraniano.
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