Israel emite ordem urgente de retirada da população da cidade de Tiro

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Na véspera de uma terceira ronda de conversações diplomáticas entre Israel e o Líbano, em Washington, esta quarta-feira, os ataques aéreos israelitas continuavam por todo o Sul do Líbano e também na zona oriental do país, no vale do Bekaa, onde o Exército libanês confirmou a morte de um soldado.

Se na terça-feira a zona mais atingida foi a de Nabatieh, esta quarta-feira, dezenas de milhares de habitantes de Tiro e de outras zonas do Sul que se haviam refugiado nesta cidade costeira foram confrontados com uma ordem de retirada total – que abrange a cidade e localidades dos arredores, bem como campos de refugiados palestinianos.

A imprensa libanesa dá conta de que em Nabatieh, um dos principais centros urbanos do Sul do Líbano, mas já praticamente devastado, os raides israelitas recomeçaram ao amanhecer. Na terça-feira, as IDF já haviam transmitido uma ordem de evacuação para toda a cidade e, hoje, essa mesma ordem foi renovada através de uma publicação no X do porta-voz militar israelita Avichay Adraee.

Afirmando que o Exército agiria “com força” contra o Hezbollah, Adraee aconselhou a população a deslocar-se “para norte do rio Zahrani” e evitar deslocações abaixo dessa linha geográfica pois estaria a colocar a sua vida em risco.

Momentos depois, o mesmo porta-voz, emitiu um aviso urgente de evacuação aos residentes da cidade de Tiro e dos seus arredores, citando “violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah e ataques contra território israelita” e aconselhando-os igualmente a dirigirem-se para acima do rio Zahrani – que por sua vez fica a norte do rio Litani, usado antes por Israel como a linha de demarcação do território libanês, mas que agora já não é considerado suficientemente distante da linha tampão imposta pelas IDF.

Por outro lado, os combatentes pró-iranianos do Hezbollah anunciaram um ataque com rockets e artilharia contra as forças israelitas nas imediações de Zawtar al-Sharqiya, no distrito de Nabatieh, e intensificaram os ataques com drones ao Norte de Israel.

As sirenes de alarme soaram em várias localidades fronteiriças e as IDF confirmaram várias explosões, mas não adiantaram se houve vítimas, segundo o Jerusalem Post.

Os israelitas confirmaram que estão a atacar zonas que vão além da sua auto-proclamada linha de segurança, ou “linha amarela”, uma faixa de quase dez quilómetros dentro de território libanês, que começa junto ao Mediterrâneo e se estende pela fronteira com o Norte de Israel até à fronteira entre Líbano e Síria, acima dos montes Golã e Hermon (território sírio também ocupado pelas forças israelitas).

Alguns observadores explicam que esta estratégia de Israel de avançar cada vez mais em território libanês tem por fim conseguir maior poder negocial nas conversações em Washington e garantir que, na eventualidade de que uma trégua venha a ser imposta pelos Estados Unidos (na sequência de um potencial acordo com o Irão), as forças israelitas terão vantagem face aos combatentes xiitas.

O Hezbollah – que não está representado nas conversações entre Israel e Líbano e que é quem detém as armas que são uma ameaça aos israelitas – continua a criticar violentamente o Governo libanês, que responsabiliza pelo recrudescimento dos ataques israelitas.

No domingo, Mahmoud Comati, membro do Conselho Político do Hezbollah, declarou que o Exército israelita só conseguiu avançar alguns quilómetros no Sul porque o grupo xiita se afastou para fazer cumprir o cessar-fogo de 2024, que também já havia sido muito criticado e foi igualmente desrespeitado por Israel.

“O Presidente da República (Joseph Aoun) ou outros, dispondo de uma maioria governamental, querem golpear a resistência sob este mandato. Esses devem saber que não são mais do que uma parte passageira que vem e vai, enquanto nós, enraizados neste país, permaneceremos”, disse Mahmoud Comati, citado pelo jornal L’Orient Le Jour.

Comati repetiu que o Hezbollah não vai entregar as armas, o que, na prática, esmaga qualquer expectativa de que possa vir a existir um verdadeiro cessar-fogo no Líbano.

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