Já há cinco mortos em França devido à onda de calor de mais de 40°C na Europa

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Duas crianças, de dois e quatro anos, foram encontradas mortas dentro de um carro fechado nesta segunda-feira, em Carpentras, no Sul de França, depois de no domingo três pessoas idosas terem morrido em França devido a problemas de saúde relacionados com o calor extremo e mais de 5000 escolas francesas fecharam ou alteraram os horários, enquanto as autoridades em toda a Europa emitiram avisos de tempo quente para esta segunda-feira.

Prevê-se que a temperatura em Bordéus, no sudoeste de França, chegue a 42 graus Celsius nesta segunda-feira, e a agência meteorológica Meteo France informou que 54 departamentos (áreas administrativas regionais) estão já sob alerta vermelho de onda de calor.

Estamos a caminho de, no mínimo, vários dias de tempo muito, muito quente. Não sabemos quando é que as temperaturas vão começar a descer, afirmou a ministra da Saúde francesa, Stephanie Rist, no canal de televisão TF1.

Um total de 1352 estabelecimentos de ensino encerrou em França nesta segunda-feira, diz o jornal Le Figaro, enquanto 4042 outros fizeram ajustes ao seu funcionamento por causa do calor. Os transportes estão também a ser afectados.

Três idosos, com idades entre os 80 e os 95 anos, faleceram durante o fim-de-semana na região de Bordéus, devido a problemas de saúde relacionados com a onda de calor, adiantou Sophie Brocas, representante governamental (prefeita) dos departamentos de Nova Aquitânia e Gironda à France TV, ao fim do dia de domingo.

Do balanço do fim-de-semana há ainda a registar 13 mortes por afogamento, que estão a ser relacionadas também com a canícula.

Em Espanha, a agência meteorológica estatal Aemet emitiu um alerta vermelho para o País Basco, no Norte do país, normalmente mais fresca, com a temperatura em San Sebastián a atingir uma máxima de 40 graus Celsius, mais do dobro da sua média histórica para o dia 22 de Junho, de acordo com a ferramenta Reuters Climate Monitor.

San Sebastián deveria ter temperaturas mais elevadas do que cidades do Sul, como Sevilha e Córdoba, que normalmente registam o calor mais intenso do Verão no país.

Estamos a registar temperaturas entre 5 e 10 graus Celsius acima do normal para esta altura do ano e, em algumas zonas do norte, até mais de 10 graus acima da média, afirmou Rubén del Campo, porta-voz da Aemet.

O Ministério do Trabalho de Espanha anunciou nesta segunda-feira estar a verificar se as empresas estão a cumprir a legislação que permite aos trabalhadores reduzir ou ajustar o seu horário de trabalho quando são emitidos alertas meteorológicos de nível laranja ou vermelho.

Os trabalhadores têm também direito a um máximo de quatro dias de licença remunerada caso não consigam chegar ao local de trabalho devido a condições meteorológicas, referiu o comunicado.

Europa é o continente mais quente

A noite não traz grande alívio em algumas regiões de Espanha, com as temperaturas a não descerem abaixo dos 25 graus Celsius ou mesmo dos 30 graus Celsius em locais como a província de Almería, no sudoeste espanhol, segundo a Aemet.

Nesta segunda-feira, a Europa foi o continente que mais se afastou da sua média histórica, com uma temperatura máxima média de 24 graus Celsius o que representou um valor 4,1 graus Celsius acima do habitual no período de 1961 a 1990, de acordo com o ⁠Reuters Climate Monitor.

Em comparação, a Ásia e a América do Norte registaram temperaturas 2 e 1,3 graus Celsius acima da média histórica.

No Reino Unido, espera-se que esta semana sejam quebrados os recordes de temperatura para Junho, o que levou as autoridades a declaração um alerta de calor extremo – algo raro para este país, mas esta onda de calor vem no seguimento de outra, em Maio, quando no dia mais quente do mês se verificaram 35,1 graus Celsius no território britânico.

O mercúrio nos termómetros britânicos pode chegar a 39 graus Celsius em meados desta semana, sobretudo no Centro e Sul de Inglaterra, e abrangendo também partes do País de Gales.

O serviço meteorológico britânico prevê que durante a onda de calor de quatro dias que se está a antever, devem ser ultrapassadas as temperaturas recorde de 35,6 graus Celsius verificada em Junho de 1957, e igualada em 1976. Durante a noite, as temperaturas não devem descer abaixo de 20 graus Celsius (noites tropicais)

Mas a temperatura mais alta no Reino Unido, desde que se fazem registos, aconteceu em Julho de 2022, quando subiu até 40,3 graus Celsius.

Foi precisamente em 2022 que a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido emitiu pela primeira vez um alerta de calor extremo, como fez agora, pela segunda vez. O alerta diz que há riscos para a vida mesmo para pessoas saudáveis, e aconselhou as pessoas mais idosas a redobrarem os cuidados.

A humidade é um factor que é preciso levar em conta [potencia a sensação de calor]. O aumento do stress térmico é perigoso para toda a gente, alerta o Met Office britânico.

Animais a sofrer

Os centros de acolhimento de animais selvagens no Norte da Europa estão a ter dificuldades em dar resposta ao número de animais que estão a ser entregues aos seus cuidados devido ao calor.

Aves como andorinhões, andorinhas, pardais e estorninhos, que fazem os seus ninhos nos beirais dos telhados, ‌têm sido particularmente afectadas pelas temperaturas anormalmente elevadas, afirmou Romaine de Jaegere, bióloga e fundadora do Centro de Reabilitação de Animais Selvagens (Creaves), um refúgio de vida selvagem em Temploux, na Bélgica.

As temperaturas nos telhados podem, por vezes, atingir os 50, ou mesmo os 60 graus Celsius. Por isso, as aves preferem atirar-se para o solo, em vez de se deixarem morrer e a cozinhar, literalmente, nos seus ninhos”, disse De Jaegere à Reuters. Nos últimos três dias, o abrigo recebeu 150 animais.

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