As críticas do presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, à expansão do Mundial para 48 selecções desencadearam uma reacção de várias federações, que se dizem “profundamente decepcionadas” com as palavras do dirigente esloveno e rejeitam a ideia de que existam “jogos desinteressantes” nesta que é a principal competição da FIFA.
As declarações controversas foram atribuídas a Čeferin pelo meio de comunicação esloveno Delo, na sequência de uma conferência realizada em Ljubljana. Segundo o jornal, o presidente da UEFA afirmou que o alargamento do torneio “não é benéfico para o futebol”, porque “temos imensos jogos que são completamente desinteressantes”. Ainda assim, o dirigente reconheceu que a nova fórmula permite “que também os países pequenos participem e sintam o ritmo do Campeonato do Mundo, algo grandioso”.
Na mesma conferência, Čeferin criticou também os preços dos bilhetes para o Mundial de 2026, considerando-os “exorbitantes”, e questionou se o futebol corre o risco de afastar os adeptos a favor de um público mais abastado. A UEFA não comentou oficialmente nenhuma das declarações.
A resposta surgiu, entretanto, num comunicado divulgado nas redes sociais da Federação Cabo-Verdiana de Futebol (FCF) e subscrito pelas federações do Congo, Curaçau, Haiti, Senegal e Uzbequistão, com o apoio de África do Sul, Argélia, Costa do Marfim, Egipto, Gana, Marrocos e Tunísia. No texto, as federações manifestam “profunda decepção” perante as declarações atribuídas ao presidente da UEFA e sublinham que, para os seus países, “não existem jogos insignificantes do Campeonato do Mundo da FIFA”.
As federações recordam que, para muitos destes países, a presença no Mundial representa “uma conquista histórica e a realização de um sonho partilhado por gerações”.
“Sugerir que alguns dos nossos jogos seriam de alguma forma menos importantes é profundamente decepcionante e equivale a ignorar os esforços, sacrifícios e aspirações de jogadores, treinadores, clubes, dirigentes do futebol e adeptos em todo o mundo”, acrescenta a nota.
O mesmo comunicado enaltece que por detrás de cada qualificação “existem anos de trabalho árduo e investimento” e “comunidades inteiras e milhões de pessoas que vêem o futebol como uma fonte de orgulho, esperança e união”. Defende ainda que “o futebol não pertence a um pequeno grupo de líderes privilegiados” e que a sua força reside precisamente “na universalidade” e que se trata da maior competição da modalidade “justamente porque reúne diferentes culturas, diferentes histórias e diferentes trajectórias no futebol”.
Para estes países, a participação na fase final ultrapassa o plano desportivo. “É um momento que inspira uma geração, acelera o desenvolvimento do futebol e cria memórias para a vida toda”, refere o documento. E conclui com uma mensagem directa: “Acreditamos que toda nação que se qualifica merece respeito. Cada equipa classificou-se por mérito. Cada jogo conta.”
As declarações atribuídas a Čeferin surgem numa edição histórica do Mundial, a primeira com 48 selecções. Entre as estreantes está precisamente Cabo Verde, a terceira equipa com menor população de sempre e a segunda mais pequena em território. Mas, na verdade, estreou-se em grande, já que protagonizou aquela que foi a maior surpresa da jornada inaugural, ao empatar sem golos com a Espanha, em Atlanta. A selecção espanhola dominou o jogo, mas esbarrou na exibição do guarda-redes Vozinha.
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