Um juiz federal determinou esta sexta-feira que o nome do Presidente norte-americano Donald Trump foi adicionado ilegalmente ao Kennedy Center e impediu o Governo de encerrar o centro cultural e artístico para uma grande renovação.
O juiz distrital Christopher Cooper, em Washington, D.C., decidiu que a votação do conselho do Kennedy Center, a 16 de Março, para encerrar o local, foi “mal informada e aparentemente predeterminada”, sem ter em conta as suas obrigações legais.
“Os membros do conselho poderiam ter avaliado a adequação do encerramento de diversas formas prudentes. Esta não foi uma delas”, frisou o juiz nomeado para o cargo pelo presidente democrata Barack Obama.
Cooper concluiu ainda que o conselho “ultrapassou os seus limites legais” ao acrescentar unilateralmente o nome de Trump ao centro.
O Congresso deu o nome ao Kennedy Center, e só o Congresso pode alterá-lo, sublinhou o juiz.
Roma Daravi, vice-presidente de relações públicas do Kennedy Center, referiu esta sexta-feira que a instituição está “confiante de que, em recurso, o tribunal confirmará a vontade do conselho de reconhecer as contribuições históricas do Presidente Trump para o centro cultural”.
Daravi acrescentou que a realidade é a mesma e que o centro necessita de uma restauração urgente e significativa.
“Com 257 milhões de dólares garantidos pelo Presidente Trump e aprovados pelo Congresso, os recursos estão disponíveis e continuamos empenhados em procurar todos os meios legais para garantir que o Trump Kennedy Center seja restaurado como um marco cultural nacional para todos os americanos desfrutarem”, apontou.
Cooper realizou audiências no final de Abril para acções judiciais paralelas que contestavam o projecto.
Uma foi movida por um conjunto de organizações de preservação cultural e histórica, enquanto a outra foi apresentada pela congressista Joyce Beatty, democrata do Ohio e ex-membro do conselho do Kennedy Center.
Os advogados do Departamento de Justiça afirmaram que os planos de renovação do edifício têm um âmbito limitado e estão dentro da autoridade do conselho, sem necessidade de aprovações externas.
Os autores da acção temem que o Presidente e os seus aliados no conselho desrespeitem as normas de preservação destinadas a manter a estrutura histórica do edifício.
Trump, um republicano, tem demonstrado um grande interesse nas operações do Kennedy Center desde que regressou à Casa Branca, no ano passado.
Nomeou um conselho escolhido a dedo, que o colocou como presidente. O seu nome foi acrescentado à fachada de um edifício considerado um monumento vivo ao presidente John F. Kennedy.
O Kennedy Center manteve as suas actuações antes do encerramento, embora a um ritmo muito mais lento do que nos anos anteriores.
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