As câmaras de Leiria e de Setúbal anunciaram ser candidatas à Capital Portuguesa da Cultura 2028. A autarquia do Centro avançou nesta terça-feira que o município pretende afirmar-se “como um espaço de encontro, criação e futuro”, justifica o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes. Já o concelho sadino adiantou que o executivo aprovou nesta quarta-feira a intenção por unanimidade, escolhendo como conceito a trabalhar “Setúbal – Mar de Cultura”. Também o Barreiro já anunciou estar na corrida.
Segundo o comunicado da câmara de Setúbal enviado nesta quarta-feira, “a deliberação representa o arranque institucional do processo que pretende afirmar Setúbal como uma cidade de cultura, criação, património, participação e futuro, valorizando a identidade singular do concelho e a relação entre a cidade, o Sado, a Arrábida, o mar, a gastronomia, a memória, os bairros, as comunidades e a criação contemporânea.”
Citada nessa nota, a presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, disse que a aprovação unânime da candidatura constitui “um sinal muito importante de união em torno de Setúbal e da sua afirmação cultural”.
A autarca adiantou que espera que esta candidatura seja capaz de “envolver os artistas, as instituições, as colectividades, as escolas, as freguesias, as empresas, as comunidades e todos aqueles que, todos os dias, trabalham pela cidade e pelo concelho”.
Nas próximas semanas serão promovidos encontros com agentes culturais, estruturas associativas, entidades parceiras, comunidade educativa, sectores económico e gastronómico, entidades ambientais, juntas de freguesia e cidadãos. “Antes de apresentar Setúbal ao país, queremos ouvir Setúbal”, justificou a presidente do município.
O comunicado salienta ainda que o objectivo é projectar Setúbal no panorama cultural nacional: “A intenção é que ‘Setúbal – Mar de Cultura’ se assuma como uma oportunidade para reconhecer o que a cidade é, projectar o que pode ser e construir, com todos, uma nova etapa da sua vida cultural.
Leiria também concorre
A decisão de Leiria se candidatar à Capital Portuguesa da Cultura foi comunicada após a aprovação da iniciativa, “por unanimidade”, pelo Conselho Municipal de Cultura, numa sessão que juntou quatro dezenas de representantes de associações, instituições culturais, entidades educativas e outros agentes do sector, avançou a autarquia.
Na nota divulgada na terça-feira pela Câmara Municipal, Gonçalo Lopes explica o projecto pretende “afirmar Leiria e a sua região como um espaço de encontro, criação e futuro, colocando a Cultura no centro do desenvolvimento humano, social e territorial”.
Para a vereadora da Educação e Cultura de Leiria, Anabela Graça, a candidatura de Leiria “será tão forte quanto a capacidade de mobilização da comunidade que a sustenta”.
“Contamos com todos para participar neste processo e para ajudar a construir um projecto colectivo capaz de afirmar Leiria e a região como um território de criação, participação e futuro”, acrescenta.
Leiria, que ficou pelo caminho na corrida a Capital Europeia da Cultura (CEC) 2027, quer agora “projectar um território reconhecido pela sua identidade cultural, capacidade criativa e dinâmica participativa”, gerando “impacto duradouro no concelho e na região”, enquanto ambiciona “projectar a região no contexto nacional e internacional”.
A aposta “valoriza uma comunidade aberta, inclusiva e plural”, num “ecossistema cultural e criativo diversificado e uma forte tradição de criação, experimentação e inovação artística”.
Entre os trunfos, Leiria avança com “o reconhecimento internacional como Cidade Criativa da Música da UNESCO”, a “riqueza do património histórico e cultural” e “a recente integração do Abrigo do Lagar Velho/Criança do Lapedo na Marca do Património Europeu”, distinção que “reforça a relevância do território no contexto cultural europeu”.
Em paralelo, identificam-se “condições particularmente favoráveis”, como a existência do Plano Estratégico Municipal para a Cultura, desenhado para a candidatura a CEC, a “rede qualificada de equipamentos culturais”, além de “um tecido associativo activo e reconhecido, uma forte articulação entre cultura, educação e inovação e uma comprovada capacidade de mobilização comunitária”.
A candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028 é encarada como “um desafio colectivo e uma oportunidade para reforçar o posicionamento cultural de Leiria e da região, mobilizando instituições, criadores, associações e cidadãos em torno de uma visão comum para o futuro”, conclui a nota do município.
O projecto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em Dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, quando anunciou Évora como a cidade vencedora da candidatura a CEC 2027.
O Governo de então indicou que as três cidades finalistas não escolhidas – Aveiro, Braga e Ponta Delgada – seriam, consecutivamente, Capital Portuguesa da Cultura. A primeira edição decorreu em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, foi a escolhida para este ano. A iniciativa recuperou um projecto do começo do século, quando Coimbra e Faro foram capitais nacionais da cultura, em 2003 e 2005, respectivamente.
Promovido pelo Governo, este concurso desafia os municípios portugueses a apresentarem programas culturais ambiciosos, sustentáveis e com impacto duradouro nos territórios.
O prazo de candidatura decorre durante 150 dias, a partir de 30 de Abril, e a cidade vencedora será conhecida a 09 de Dezembro de 2026.
À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de 1 milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).
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