Linha SOS Criança Desaparecida recebeu 128 denúncias desde Janeiro de 2024

0
1

A Linha SOS Criança Desaparecida recebeu 128 denúncias desde Janeiro de 2024 até Abril deste ano, maioritariamente associadas a fugas de casa e rapto parental, revelou hoje o Instituto de Apoio à Criança (IAC).

No Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) — responsável em Portugal pela linha europeia SOS Criança Desaparecida —, disse que, nos primeiros quatro meses do ano, já se realizaram 12 denúncias de raptos parentais, quatro de fugas de casa e quatro de menores que se perdem ou ficam feridos e que não são encontrados no momento da ocorrência.

Nos anos de 2024 e 2025, a maioria das denúncias estava associada a fugas de casa, tendo-se registado uma diminuição ligeira, uma vez que, no ano passado, a Linha SOS Criança Desaparecida, destinada a apoiar crianças desaparecidas e as suas famílias, recebeu 20 denúncias e há dois anos contabilizou 19 sinalizações.

O presidente do IAC disse que a predominância das denúncias na linha SOS Criança Desaparecida está relacionada com “pesquisas perigosas” na Internet, em que os jovens são aliciados a terem comportamentos de risco. “As crianças são apanhadas através da Internet e, ao serem apanhadas, usam esquemas, fogem de casa, fogem das instituições, e são elas que se vão pôr, entre aspas, na boca do lobo”, disse Manuel Coutinho aos jornalistas, alertando que 532 crianças desapareceram nos últimos quatro anos, mas que a maior parte foi recuperada.

Falando na sede do instituto, em Lisboa, onde decorreu um evento que assinalou o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, aquele responsável observou que os menores que se encontram com essas pessoas que conheceram via Internet “vêm, por vezes, um bocadinho maltratadas, umas vêm abusadas sexualmente” e outras “com marcas psicológicas muito profundas”.

Dezassete raptos parentais no ano passado

O inspector-chefe da Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária, Hugo Silva, também presente no evento, alertou para o número crescente de jovens envolvidos na preparação ou execução de actos extremistas violentos.

Em 2024, cerca de 29% dos detidos por crimes relacionados com terrorismo e extremismo violento eram menores ou jovens adultos, tendo o mais novo 12 anos, segundo Hugo Silva.

Em relação aos casos de rapto parental, o número de denúncias subiu para 17 no ano passado, mais nove do que em 2024. Para o presidente do IAC, estas situações devem-se a desentendimentos entre os pais, contextos em que um dos progenitores ganha a custódia da criança, mas o outro desobedece às ordens do tribunal e “vai buscar o filho”.

“É natural, é o instinto humano, que o pai que fica privado ou a mãe que fica privada daquele filho corra atrás dele, e, às vezes, colide com a lei. Não devia ser assim, mas é”, explicou Manuel Coutinho.

Dentro das denúncias sobre menores raptados por terceiros, a linha registou um aumento no ano passado, tendo sido contabilizadas sete queixas, mais seis do que em 2024.

De acordo com os dados do IAC, em 2025 as denúncias relacionadas com menores que se perderam ou ficaram feridos subiram para nove, mais sete casos do que em 2024. O número de denúncias associadas a um risco de desaparecimento de crianças subiu para oito casos no ano passado, sendo que, em 2024, foram contabilizadas três.

As sinalizações que mais diminuíram estão relacionadas com fugas institucionais, passando de dez casos em 2024 para dois casos no ano passado, estando estes associados a uma menor sinalização por parte das instituições, segundo a coordenadora da Linha SOS Criança Desaparecida, Maria João Cosme. “As instituições estão habituadas a esse tipo de comportamento por parte dos jovens e muitas vezes não reportam”, disse à Lusa no intervalo do evento.

A Linha SOS Criança Desaparecida pode ser contactada através do número 116 000, que é gratuito, confidencial e está disponível 24 horas por dia.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com