Livros a Oeste leva Narrativas de Esperança à Lourinhã

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A coragem de permanecer humano e de cuidar e respeitar o outro é condição fundamental num tempo “marcado por intensas polarizações, pela disseminação de discursos de ódio e por uma crescente incapacidade de conjugar a diferença e a dignidade humana”. É com este manifesto que se apresenta a 14.ª edição do Livros a Oeste – Festival do Leitor que, tendo em conta o que se vive à escala global, escolhe fazer da Lourinhã um lugar de confiança e optimismo no que há-de vir, como atesta o tema Narrativas de Esperança, que inspira o programa.

Não é coisa passiva, para sentar e esperar para ver, mas antes um compromisso com uma atitude de coragem, resistência e reflexão que não deixe cair os valores da democracia. “Em muitos espaços públicos a linguagem, que deveria ser veículo de compreensão, tem sido instrumentalizada para reforçar hostilidades e fragmentar comunidades. Neste contexto, a literatura revela-se mais necessária do que nunca, não apenas como arte, mas como espaço de reflexão ética e de resistência”, salienta a organização na nota de imprensa.

Entre 12 e 16 de Maio, e tomando como princípios “a memória histórica e a responsabilidade colectiva”, o festival faz uso de várias formas de expressão para espalhar a sua mensagem e chegar a públicos de diferentes idades e sensibilidades.

Depois do momento inaugural com o escritor e humorista Luís Filipe Borges, o destaque do primeiro dia vai para a gravação ao vivo do podcast O Tempo Contra o Tempo, apresentado por Raquel Varela e com a participação dos músicos António Pinho Vargas e Ana Bacalhau. O encontro está marcado no Auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, palco por onde também passam as conversas Livro: Espelho do Passado e Alicerce do Futuro com o escritor Jessemusse Cacinda e os jornalistas António Cabrita e Fernanda Cachão (nesta quarta-feira); O Céu Que Nos Protege… Será Virtual? com o escritor Rui Zink, o jornalista David Dinis e o especialista em História das Religiões Paulo Mendes Pinto (quinta-feira); A Mulher É a Medida de Todas as Coisas com os autores Pedro Vieira, Inês Bernardo e Inês Pedrosa (sexta); e Corpo de Letra em Palco de Papel com as escritoras Patrícia Portela e Margarida Azevedo e o jornalista João Gobern (sábado). Com moderação do programador do festival, João Morales, todas têm lugar às 21h30 (com excepção para a última, agendada para as 16h30).

Entre terça e sexta-feira, ao final da tarde (18h30), a Biblioteca Municipal acolhe a apresentação de obras de Virgílio Castelo, João Pedro George, João Céu e Silva, Luís Filipe Castro Mendes, André Gago, Ana da Cunha, Safaa Dib e Ângelo Delgado.

A aposta no público escolar continua a ser um dos pilares do festival que, nesta edição, leva às escolas do concelho autores como David Machado, Ricardo Fonseca Mota, Fátima Vale, Vasco Gato, Isabel Meira, Raquel Costa, Samuel Pimenta, José Carlos Mota ou António Brito Guterres.

As exposições A Wear + Figure Out de Ana Baleia e Imagens Nascidas de Palavras de alunos do concelho, a instalação O Poeta no Jardim criada por Noiserv, uma feira do livro, bibliotecas itinerantes, música, oficinas, formação, Os Cantos das Palavras na Praça José Máximo da Costa, as sessões de A Poesia É Que Nos Salva no Impostor e a apresentação da residência artística Cartas ao Mar são outras das linhas no programa.

Tudo com entrada livre e com o propósito maior de estimular a reflexão, o diálogo e a empatia, “articulando pontos de vista” e “acreditando que o futuro da Humanidade pode sempre ser melhor”, assim partilha João Morales.

Nascido em 2012 pelas mãos do município da Lourinhã, como “um convite à descentralização cultural, pela reflexão e participação”, o Livros a Oeste figura na lista de nomeados da edição de 2025 dos Iberian Festival Awards.

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