LSD é a sigla de Love Songs Die, um projecto antigo de ProfJam. Idealizado como o seu segundo álbum, LSD tornou-se o sexto de Mário Cotrim, um dos nomes mais importantes do hip-hop português contemporâneo.
Com 16 temas, muitos deles potenciais singles, com alguns convidados de renome, LSD distancia-se do anterior MDID — Música de Intervenção Divina. Esse disco de 2023 foi um gesto de afirmação pessoal e religiosa de Mário Cotrim, uma obra autocentrada, entre o céu e o inferno, sempre sem sair da cabeça do artista. Em LSD, a mente dá lugar ao corpo: o amor, mais ou menos carnal, baila livremente nas letras e nas batidas, síntese de trap com sugestões vindas da música electrónica de dança (e algum balanço africano). Como é habitual em ProfJam, os instrumentais são secundários: a música é conduzida em grande medida pela voz do rapper e cantor, tantas vezes transfigurada pelo autotune.
Bailar, com a autoproclamada “mamacita” Ana Moura, tem poder lúbrico, baixo e batida a imporem o ritmo aos glúteos. A par de Melhor de mim (uma muito eficaz balada guiada por guitarra acústica, socada por batidas, com a voz sempre adolescente de Lon3r Johny), Bailar é o momento do álbum em que o potencial pop de ProfJam se demonstra em pleno. Ter a fadista-tornada-cantora-pop no tema sinaliza essa ambição, mas Bailar não deixa, ainda assim, de a envolver no caos autotune que Cotrim apurou como arte sua.
Outros convidados, como Plutónio (no trap dolente de Pensar em ti) ou Ivandro (e a sua poderosa voz), adaptam-se ao esquema de ProfJam, emprestando o seu apelo radiofónico a LSD. Outras canções sucedem-se sem sobressaltos, demasiado ancoradas na fórmula que Mário Cotrim gizou para o seu álbum “de amor” (lamenta-se a exclusão da fabulosa NR6, anunciada em 2024 como parte do projecto LSD).
É sobretudo quando se entrega ao ritmo que o disco sai da mediania geral. É assim em Príncipe, com o seu pára-arranca entre autotune e o flow “puro”, com o final (demasiado curto) a ameaçar a descolagem em registo house. Em Sozinho, o voo acontece: eis ProfJam levado às nuvens por uma batida desavergonhada, aérea (a percussão handpan de Malte Marten ajuda), a voz tão leve e despreocupada como a canção. No final, por breves segundos, Mário arrisca um falsete, amparado pelo autotune. Sorrimos e pensamos: gostaríamos de encontrar em LSD mais gestos como Sozinho.
Noutro espectro, Lado negro e Bounça atiram-nos para a claustrofobia de MDID. O primeiro tema é uma demonstração da plasticidade da voz de Profjam (aliada a uma espraiada sonoplastia de sintetizadores e batidas a cargo dos 2LO, produtores de vários temas de LSD e MDID). Já Bounça é irmão de canções como Fax, de MDID, mas aqui o cio leva Profjam a “rappar” coisas como “a pussy dela deve ter fugido dum hospício/ é que é maluca”. É uma pérola saída do fluxo incessante da voz de ProfJam, que, como acontecia em MDID, revela-se cansativo ao fim de algumas canções.
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