Mais de cem escolas do ensino pré-escolar e básico estavam nesta segunda-feira de manhã encerradas ou condicionadas pela greve nacional de professores, segundo dados apurados pela plataforma cívica da metaPROF. À porta do Ministério da Educação, em Lisboa, vários docentes fizeram-se ouvir, em protesto. “O que nós queremos é que seja reconhecido para trabalho igual direitos iguais”, disse à Lusa a coordenadora nacional do 1.º ciclo do ensino básico da Federação Nacional da Educação (Fenprof), Cátia Domingues.
Na concentração, onde se ouviam tambores e apitos, estava o professor do 1.º ciclo, João Barros, 60 anos, que disse à Lusa que os docentes do 1.º ciclo têm, a partir dos 60 anos, uma redução de cinco horas por semana da componente lectiva (tempo de trabalho que envolve contacto directo com os alunos), enquanto a partir do 2.º ciclo os profissionais têm uma redução de oito horas semanais. “Essa é uma das reivindicações, esta equidade no tratamento dos docentes”, indicou João Barros, professor há 26 anos.
Às 10h00, mais de 200 professores e funcionários escolares tinham colocado informações na plataforma “Greve ao Minuto” sobre o impacto da greve nacional de professores da monodocência convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), o STOP, o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (Spliu) e o Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (Sinape).
Os dados revelavam haver, pelo menos, 138 escolas fechadas ou condicionadas em 62 concelhos, a grande maioria no litoral, devido ao protesto por melhores condições de trabalho para os professores de monodocência que pedem condições equitativas aos colegas de outros níveis de ensino.
As informações que retratam o impacto da greve estão a ser colocadas no observatório online “Greve ao Minuto” da metaPROF, uma plataforma criada por professores que tem estado durante a manhã em constante actualização, tendo começado o dia com apenas oito participações recebidas, mas cerca de uma hora depois já passavam as duzentas e, por volta das 10h30, eram já mais de 300.
Os professores do pré-escolar e 1.º ciclo exigem a valorização da monodocência, pedindo a redução de horário para 22 tempos lectivos semanais, tal como acontece noutros ciclos de ensino. A redução lectiva por idade, em igualdade com docentes de outros grupos de recrutamento, a redução lectiva por desempenho de cargos e a atribuição da responsabilidade assistencial a outros profissionais de educação são outras das reivindicações destes professores.
Segundo um comunicado da Fenprof, as acções realizam-se hoje porque enquanto os restantes níveis de ensino terminam as suas actividades lectivas, os educadores de infância e os professores do 1.º ciclo permanecem em funções lectivas durante mais 15 dias, uma realidade que mostra a “desigualdade persistente no tratamento dos docentes da monodocência”.
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