A publicação
Na rede social X, várias publicações dão conta da troca de declarações entre a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e Donald Trump, após o Presidente dos Estados Unidos ter criticado o Papa Leão XIV.
O contexto
A primeira-ministra italiana foi, durante anos, uma das líderes europeias mais próximas de Trump. Em Janeiro, Ricardo Marchi dizia ao PÚBLICO que, para se ser primeira-ministra em Itália é preciso “ser aceite em Washington e em Londres”. “Não há hipótese”, garantiu, “e por isso não podes ser avesso às políticas deles nem os hostilizas abertamente”.
Mas Meloni parece cada vez mais distante de Trump. Há cerca de um mês, no início de Março, o Presidente norte-americano dizia ao jornal Corriere Della Serra que Meloni era uma “grande líder”. Esta terça-feira disse ao mesmo jornal que Meloni “já não é a mesma pessoa”.
A mudança de posição deu-se depois de, no fim de Março, Itália ter recusado o pedido dos EUA para usarem uma base aérea na Sicília em manobras de guerra contra o Irão. Depois, Trump criticou o Papa e Meloni considerou as declarações “inaceitáveis”. “Quando se é amigo e se tem aliados, especialmente se forem estratégicos, também é preciso ter a coragem de dizer quando se discorda”, disse a primeira-ministra italiana, assegurando que Roma e Washington continuam a ter uma boa relação.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere Della Serra, o Presidente norte-americano respondeu: “Os italianos gostam do facto de a sua primeira-ministra não estar a ajudar a conseguir petróleo?”. E mais: “As pessoas gostam dela? Não consigo imaginar. Estou chocado com ela. Achei que tivesse coragem, mas enganei-me”. “Ela já não é a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país. A imigração está a matar a Itália e toda a Europa”.
Numa publicação no X, de dia 14 de Abril, surge uma suposta resposta de Meloni aos comentários de Trump: “Pelo que sei, nove nações possuem armas nucleares, e apenas uma as utilizou. Essa nação são os Estados Unidos. Trump deve moderar seu tom. Ninguém lança ameaças nucleares como Washington, e ele deveria ter cuidado com suas palavras”.
Outras publicações dizem o mesmo, ainda que com ligeiras alterações.
Os factos
Não existe em órgãos oficiais do Governo italiano nem em órgãos de comunicação social qualquer referência à frase supostamente dita por Giorgia Meloni. Se de facto a primeira-ministra tivesse feito tais declarações, seriam noticiadas.
O vídeo que acompanha a publicação mostra apenas a primeira-ministra italiana a reagir às críticas de Trump ao Papa, mas nunca diz a segunda frase escrita no tweet. Há apenas referência às declarações “inaceitáveis” de Trump.
As declarações do Presidente norte-americano que surgem na publicação são retiradas do jornal italiano Corriere Della Serra. Mas não há registo, até ao momento, de qualquer resposta da primeira-ministra italiana a Trump. As declarações surgem apenas em publicações nas redes sociais sem qualquer fonte, acompanhadas de vídeos que não as corroboram.
Não há registo de Meloni a dizer que os Estados Unidos foram o único país a usar armas nucleares. A frase seria uma provocação à actuação dos Estados Unidos e Israel ao Irão, já que Trump garante que o Irão está a construir armas nucleares — um dos motivos que os Estados Unidos dizem ter levado ao ataque ao Irão no final de Fevereiro.
O veredicto
Não há qualquer registo de Georgia Meloni ter respondido a Trump dizendo que os EUA foram o único país a usar armas nucleares, nem órgãos oficiais nem na comunicação social.
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