Menina de seis anos denunciou aos pais abusos de auxiliar em creche de Marvila. PJ admite mais vítimas

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Foi uma menina de seis anos que avisou os pais de que algo de errado se passava com o auxiliar de acção educativa preso na semana passada por abusar de pelo menos quatro crianças numa creche na zona de Marvila, em Lisboa.

A Polícia Judiciária (PJ)​ não tem “sombra de dúvidas” de que este homem de 24 anos cometeu os abusos contra quatro crianças de entre quatro e seis anos, disse ao PÚBLICO João Oliveira, director da Directoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ. E admite que poderão existir mais vítimas, como avançou ao Expresso. A presidente da direcção da escola já tinha dito à RTP no domingo que o alerta foi dado por uma “criança que estava instruída pelos pais, pelo conhecimento de livros, que falam sobre estes temas”.

Em prisão preventiva, o homem era auxiliar de acção educativa e estava encarregado de tomar conta das crianças em idade pré-escolar, sobretudo, no período da sesta. Os pais da menina denunciaram o caso à direcção da escola, que por sua vez chamou a PJ.

Os factos terão ocorrido entre os meses de Abril e Maio deste ano. Depois da denúncia da escola, a PJ iniciou imediatamente a investigação, com recolha de elementos como a audição das crianças e apuramento das dinâmicas da escola “para perceber se aquilo que as crianças tinham verbalizado era consistente”, explica João Oliveira.

E concluíram: “Objectivamente eram quatro crianças no final da semana. Admitimos que possa haver mais. Tem a ver com uma avaliação do quadro situacional, do que temos por inequívoco, do perfil do suspeito, da nossa experiência. É claramente uma raposa a tomar conta do galinheiro”, diz o director, que descarta indícios de negligência da escola. “A investigação está a fazer o seu trabalho para perceber se este tipo de práticas começou logo ou se é algo mais recente. Admitimos que não tenha sido logo ao princípio por um conjunto de razões, mas é uma mera inferência”.

O auxiliar tinha feito o estágio na escola, onde estava há cerca de dois anos. Entre prova testemunhal e outros elementos, a PJ está a cruzar informações. A prova neste tipo de crimes é sobretudo pessoal, lembra o responsável. Embora não tenham sido relatadas denúncias sobre actos de penetração sexual, “há factos muitos graves”, referiu.

Importância de sensibilização

O facto de a denúncia ter partido de uma das meninas abusadas mostra a importância da prevenção. A PJ “tem feito campanhas junto de estabelecimentos de ensino, de professores e de auxiliares de educação para este tipo de problemas e que cuidados devem ser tidos”, comenta João Oliveira. “É de extrema importância que pais e educadores façam acompanhamento de proximidade de quem está à sua guarda no sentido de detectarem comportamentos que poderão ser indiciadores de que são vítimas destas práticas”.

Sinais como mudanças drásticas de comportamentos, alterações de disposição, isolamento, agressividade poderão ser um alerta. Conversar de forma cuidadosa para perceber se a criança partilha algo que indique que algum adulto fez algo de que não gostou é outra recomendação – assim como “convocar a criança para esta causa com naturalidade”. “Há literatura que pode ajudar os pais”.

Segundo João Oliveira, os inspectores que interrogam as crianças nestas situações “seguem as melhores práticas internacionais”. “Estamos na linha da frente”, assegura. O SNS publicou um livro com uma história que explica às crianças a regra “Aqui ninguém toca”, produzido pelo Conselho da Europa.

Como o PÚBLICO noticiou, desde Setembro, 64 homens foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) por fortes indícios de crimes de abuso sexual de crianças. Em quase um terço dessas situações (19), a denúncia partiu de escolas.

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