Ministro israelita Ben-Gvir sob investigação em Itália no caso da flotilha para Gaza

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A procuradoria italiana colocou sob investigação Itamar Ben-Gvir, o ministro de extrema-direita com a pasta da Segurança Nacional de Israel, pelo tratamento dado aos activistas que integraram a flotilha para Gaza no mês passado, disse esta segunda-feira uma fonte judicial.

A fonte, que pediu para não ser identificada, confirmou notícias anteriores de agências noticiosas italianas e afirmou que Ben-Gvir está a ser investigado sob suspeita de tortura e sequestro de cidadãos italianos que se encontravam entre os activistas. Se a investigação concluir que se justificam acusações, os procuradores poderão apresentar um pedido formal de julgamento.

Em resposta à investigação italiana, Ben-Gvir afirmou, em comunicado: “Não vou recuar perante nenhuma investigação e continuarei a estar, com orgulho, ao lado dos nossos combatentes.”

Israel e Ben-Gvir têm enfrentado crescentes críticas internacionais depois de, no final de Maio, o ministro ter divulgado um vídeo que mostrava activistas de Gaza detidos, ajoelhados e com as mãos atadas, na sequência da intercepção pelas forças israelitas da flotilha de ajuda em águas internacionais.

Os 430 activistas detidos pela polícia israelita incluíam cidadãos de Itália e da Coreia do Sul. Na flotilha humanitária seguiam também dois portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, que à chegada a Portugal também denunciaram espancamento e violência sexual.

Num vídeo publicado por Ben-Gvir na rede social X, agentes forçaram uma activista a deitar-se no chão depois de esta ter gritado “Free, free Palestine” (“Palestina livre”).

O governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou o tratamento dado aos activistas como “inaceitável” e convocou o embaixador israelita para prestar explicações. Itália pediu depois à União Europeia que discutisse sanções contra Ben-Gvir, ao passo que França decidiu proibir a entrada do ministro israelita no seu território.

Os organizadores da flotilha afirmam que pretendiam quebrar o bloqueio israelita a Gaza através da entrega de ajuda humanitária, face à escassez se mantém, segundo organizações, apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hamas — mediado pelos Estados Unidos e em vigor desde Outubro de 2025 — que inclui garantias de reforço da ajuda.

Israel afirma que o bloqueio naval que impõe a Gaza é legal.

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