Morreu Clive Davis, executivo que começou as carreiras de Whitney Houston e Janis Joplin

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Desde 1967, quando se tornou presidente da Columbia Records depois de sete anos como advogado a trabalhar na editora, até ao final da vida, Clive Davis esteve na linha da frente da música pop americana. O magnata, que morreu esta segunda-feira, aos 94 anos, deu grandes contratos discográficos a nomes como Whitney Houston, Janis Joplin, Aretha Franklin, Billy Joel, Lou Reed, Patti Smith, Alicia Keys, Bruce Springsteen, Sly and the Family Stone, Laura Nyro, Herbie Hancock, Pink Floyd, Neil Diamond, Chicago, Earth, Wind & Fire ou Donovan, entre muitos outros, tendo também reavivado carreiras de gente como Rod Stewart ou Carlos Santana. Mais tarde, orientou ainda as carreiras de nomes vencedores do concurso de talentos American Idol como Kelly Clarkson, Carrie Underwood ou Fantasia.

Nascido em Brooklyn em 1932, estudou, como bolseiro, ciência política na Universidade de Nova Iorque e direito em Harvard, isto depois da morte, no espaço menos de um ano, dos pais. Trabalhou como advogado numa firma pequena e numa maior em Nova Iorque, onde trabalhava com a estação de televisão CBS, tendo sido depois contratado pela Columbia Records, à altura subsidiária da CBS. Tornou-se presidente em sete anos, convidado pelo seu antecessor, Goddard Lieberson.

Davis trouxe para a família da Columbia o rock’n’roll e a cultura juvenil nos anos 1960, quando as prioridades da editora eram mais antiquadas. Descobriu tudo isso quando, sob a orientação de Lou Adler, outro magnata da música, produtor e agente de nomes como The Mamas & The Papas, o levou ao Monterey International Pop Festival, em 1967, onde encontrou pela primeira vez a força da natureza que era Janis Joplin. Foi também ele quem convenceu Miles Davis, lendário trompetista de jazz, a abraçar essa música e energia e actuar em sítios dedicados ao rock.

Em 1973, foi despedido pela CBS por um escândalo e um caso de tribunal que culminaria na sua exoneração. Foi acusado de cobrar à editora despesas pessoais, como viagens de férias, casas e o bar mitzvah do filho. Teria, justificou, sido um empregado a forjar a sua assinatura, empregado esse que acabou por ser preso. Davis pagou apenas uma multa de fuga aos impostos nas despesas de umas férias. Foi ainda, na imprensa, associado a um escândalo de editoras pagarem a rádios para passarem música e drogas, mas nunca chegou a ser acusado formalmente, tendo sempre negado veementemente tais insinuações.

No ano seguinte, foi convidado para se tornar presidente da divisão musical da Columbia Pictures, uma um contrato que envolvia uma participação de 20% da empresa, que se chamava Bell Records e acabou por mudar, sob a sua orientação, de nome para Artista e se tornou a sua editora, para a qual trouxe nomes como Reed e Smith, bem como os Grateful Dead, Annie Lennox ou os Kinks, tendo também ajudado a renovar a carreira de Dionne Warwick. A editora foi vendida à BMG em 1979, algo muito lucrativo para ele. A trabalhar com um dos nomes da Bell, Barry Manilow, orientou o êxito Mandy. Manilow, que se via mais como compositor do que apenas como intérprete, teve desavenças com o executivo, que o convenceu a gravar mais canções de outras pessoas, os seus maiores êxitos. No obituário publicado esta segunda-feira pela Rolling Stone, cita-se a preocupação do executivo com canções de sucesso e como estas tinham frequentemente de ser escritas por nomes que não quem as cantava. “Consegues escrever melhor do que as melhores canções que estão a ser escritas? Se consegues, fá-lo. Se não, não”, lê-se.

Davis descobriu Whitney Houston, sobrinha de Dionne Warwick, no início dos anos 1980, tendo-a contratado para a Artista quando a cantora tinha apenas 19 anos. Trabalhou vários anos com ela para encontrar material para o seu primeiro disco, Whitney Houston, saído em 1985. Tornou-se o primeiro disco de estreia e o primeiro disco de uma artista feminina a solo a gerar três números um na tabela da Billboard, transformando-se com o tempo num dos álbuns mais vendidos de sempre, com números que chegam a mais de 25 milhões de cópias.

Davis continuou a trabalhar com Houston até à sua morte, mas não sem polémicas. No obituário de Davis, o The New York Times cita o documentário Whitney: Can I Be Me?, de 2017, em que um executivo antigo da Arista fala de como a editora a forçou a adoptar uma estética mais apelativa ao público branco: “tudo o que soasse demasiado negro voltava para o estúdio”.

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