Logo que se tira o Motorola Razr Fold da caixa, percebemos imediatamente uma das grandes vantagens do design deste smartphone dobrável. Quando tantas marcas insistem em cobrir os seus telefones com superfícies polidas escorregadias, a Motorola arriscou um acabamento texturado na traseira. Podemos caminhar apressados pela rua enquanto respondemos a uma mensagem sem o risco de ver o telefone voar da mão. O toque é agradável e transmite solidez.
Lamentavelmente, a originalidade não se repetiu no design do módulo das câmaras, uma protuberância que quase duplica a espessura do smartphone nessa zona. Se gosta de pousar o telefone na mesa do café para para tomar notas rápidas enquanto bebe um cappuccino, prepare-se para uma experiência frustrante. O aparelho dança e balança a cada toque no ecrã.
Naturalmente, num dobrável, o verdadeiro espectáculo começa quando abrimos o dispositivo, revelando o generoso ecrã interno de 8,1 polegadas. O desempenho é garantido pelo novíssimo processador Snapdragon 8 Gen 5. Mudar de uma aplicação de correio electrónico para uma folha de cálculo ou manter três janelas abertas em simultâneo é um processo instantâneo.
A marca percebeu que este formato de dobrável apela a quem precisa de trabalhar em movimento e decidiu incluir no pacote o estilete Moto Pen Ultra. É uma estratégia inteligente para atenuar o investimento inicial. Assinar contratos em formato PDF ou desenhar esquemas mentais durante uma viagem de comboio funciona lindamente, com o estilete a demonstrar uma latência mínima e uma grande precisão. Mas também há ofertas para ajudar na parte de entretenimento e ajudar a manter um estilo de vida saudável: os auriculares Moto Buds e do relógio Moto Watch.
O reverso da medalha surge na tecnologia de ecrãs flexíveis adoptada pela Motorola. Enquanto outros fabricantes já conseguem disfarçar quase por completo a zona da transição, no Razr Fold a dobradiça deixa marcas evidentes. Ao passar o dedo sentimos perfeitamente dois vincos paralelos separados por uma ligeira concavidade. Além de penalizar o aspecto, prejudica a experiência de visualização dos conteúdos. Quando estamos a ler um texto longo sob luzes artificiais, a luz reflecte-se nestas imperfeições, o que quebra a uniformidade visual do ecrã.
DR
Muito bateria em pouco espaço
No campo da autonomia, a nova bateria de silício-carbono com 6000 mAh merece os maiores elogios. Conseguir colocar tanta capacidade num corpo dobrável é uma proeza assinalável, que nos fez recordar imediatamente o Magic V5 da Honor. Durante os testes intensivos, com sincronização constante de contas, brilho elevado e muitas chamadas, o telefone chegou sempre ao fim da noite com energia de sobra.
A gestão térmica é que fica claramente aquém do esperado. Quando puxamos pela potência gráfica do processador em jogos complexos ou em tarefas de edição de vídeo, o Razr Fold aquece de forma muito acentuada. O calor dissipa-se de maneira muito localizada no lado direito do aparelho. Ao fim de quinze ou vinte minutos de utilização contínua, a sensação térmica torna-se desconfortável na palma da mão.
As câmaras fotográficas triplas de 50 megapixels entregam resultados correctos com boa iluminação solar. O equilíbrio de cores é natural e o detalhe agrada. Contudo, em jantares de grupo ou cenários nocturnos, o algoritmo de processamento exagera na redução de ruído e cria um efeito de pintura digital, que destrói as texturas mais finas.
A Motorola fixou o preço nos 1999 euros, uma fasquia que o coloca numa rota de colisão directa com propostas fortes. O Samsung Galaxy Fold7 custa, actualmente, cerca de 1900 euros e oferece uma construção mais refinada e um ecossistema de software mais maduro. Se olharmos para o Honor Magic V5, encontramos um produto substancialmente mais barato que consegue ser ainda mais fino e leve na mão do que este Razr Fold. A Motorola, compensa, em parte, com o conjunto de acessórios incluídos, mas o utilizador terá de avaliar se esses extras compensam as arestas por limar na ergonomia e na refrigeração da plataforma principal.
Veredicto
O Motorola Razr Fold demonstra ambição ao apostar num ecrã interno generoso, numa autonomia de topo e num pacote de produtividade recheado com um estilete muito competente. Contudo, o aquecimento excessivo sob carga de trabalho, os vincos da dobra no ecrã e a instabilidade física provocada pelo módulo das câmaras prejudicam o conforto diário. O preço de 1999 euros coloca-o numa posição vulnerável face ao equilíbrio do Galaxy Fold7 ou à leveza do Honor Magic V5. Trata-se de uma máquina recomendada sobretudo para utilizadores empresariais que tirem partido efectivo de todo o ecossistema de acessórios incluído na caixa e que não se importem de carregar um dispositivo mais volumoso em troca de um dia inteiro de autonomia longe da tomada.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com






