MP abdica de recurso contra absolvição de Benfica e de Vieira no processo Saco Azul

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O Ministério Público (MP) prescindiu de recorrer da absolvição do Benfica e do seu ex-presidente Luís Filipe Vieira no processo Saco Azul.

“O prazo para o recurso expirou e o MP não recorreu do acórdão que absolveu a Benfica SAD, a Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, Domingos Soares Oliveira e Miguel Moreira no caso Saco Azul, explicou fonte próxima do processo ao PÚBLICO. A decisão do MP de não interpor recurso coloca um ponto final neste processo judicial.

Em 23 de Abril, o Tribunal Central Criminal de Lisboa absolveu todos os arguidos do processo “Saco Azul”: Benfica SAD, Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, que liderou o clube lisboeta entre 31 de Outubro de 2003 e 15 de Julho de 2021, o antigo director executivo (CEO) da SAD “encarnada” Domingos Soares de Oliveira, o ex-director financeiro Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, e outros dois arguidos, José Raposo e Paulo Silva.

Na leitura do acórdão, sobre o alegado esquema dos arguidos para, entre 2015 e 2018, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário, o tribunal apontou dúvidas sobre a acusação.

“Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos”, apontou o presidente do colectivo de juízes

Para o tribunal ficaram dúvidas sobre o que foi feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, de que era proprietário, uma vez que o MP indicou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio e pagos por esta e pela Benfica SAD.

“A questão tem de ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida”, frisou o juiz presidente, acrescentando que “há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra”.

Depois de toda a prova analisada em julgamento, o tribunal considerou que não foi possível, “a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm” chegar a uma conclusão livre de dúvidas.

À saída do tribunal, o presidente do Benfica, Rui Costa, manifestou na ocasião alegria por ver ilibada a instituição que lidera de uma suspeita que perdurou por uma década.

“Em muitas áreas, o Benfica foi prejudicado. É evidente que quando um clube com a dimensão do Benfica está num processo desta dimensão, isso prejudica a sua imagem e tira o orgulho ou mete dúvida nos benfiquistas. Hoje devemos estar felizes por isso, porque mais uma vez o Benfica foi ilibado e [o processo] prejudicou, sim, e de que maneira ao longo destes 10 anos”, afirmou Rui Costa aos jornalistas.

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