A NASA anunciou nesta terça-feira que a missão da nave espacial Maven, que passou mais de 11 anos a orbitar Marte para estudar a atmosfera do planeta, chega ao fim depois de a agência ter perdido contacto com a sonda robótica há seis meses.
Maven, abreviação de Mars Atmosphere and Volatile Evolution (Atmosfera e Evolução de Compostos Voláteis de Marte, em português), foi a primeira missão da agência espacial norte-americana dedicada à observação da atmosfera marciana e da sua evolução. Lançada em 2013, começou a orbitar Marte em 2014 e o plano era ficar junto ao planeta vermelho durante apenas um ano, mas a missão acabou por se estender por mais de uma década.
Especialistas da agência disseram nesta quarta-feira que o último contacto com a Maven aconteceu a 6 de Dezembro, depois de uma perda inesperada de sinal, quando a sonda estava a passar a parte oculta de Marte, do ponto de vista da Terra, e foi considerada em “estado irrecuperável”.
Mike Moreau, gestor do projecto Maven no Centro de Voos Espaciais Goddard, em Maryland, disse que uma comissão de revisão da NASA está a investigar a causa da falha de sinal e apontou a conclusão da investigação para “os próximos meses”.
A missão Maven foi responsável por retransmitir dados científicos de Marte, recolhidos por instrumentos como os robôs exploradores Curiosity e Perseverance, para a Terra. Tiffany Morgan, directora do programa de exploração de Marte na Divisão de Ciências Planetárias da NASA, afirmou que agora há “um pequeno atraso” na retransmissão desses dados científicos.
A sonda Maven explorou a atmosfera marciana e estudou as interacções atmosféricas com o Sol e o vento solar — o fluxo incessante de partículas carregadas em alta velocidade provenientes do Sol — para melhor compreender a perda da atmosfera do planeta para o espaço.
Há mais de três mil milhões de anos, Marte possuía uma atmosfera mais densa e grandes quantidades de água em estado líquido na sua superfície, com condições que podem ter sido propícias à vida microbiana. O estudo da perda atmosférica fornece informações sobre como Marte se tornou o lugar inóspito que é hoje. “Agora, temos uma compreensão melhor da fuga atmosférica em Marte do que em qualquer outro planeta, incluindo a Terra”, disse Morgan.
A Maven descobriu, por exemplo, que a erosão da atmosfera marciana aumenta drasticamente durante eventos de clima espacial — quando tempestades solares irrompem da superfície do Sol. Também descobriu vários tipos de auroras que surgem quando partículas energéticas dessas tempestades mergulham na atmosfera e trabalhou com a Perseverance para observar uma aurora em Marte na luz visível pela primeira vez, com o céu a brilhar suavemente em tons de verde.
No ano passado, a sonda Maven também conseguiu observar o cometa interestelar 3I/ATLAS.
Moreau afirmou que, embora a Maven normalmente não gire em órbita, emergiu da passagem atrás de Marte girando a uma taxa de 2,7 rotações por minuto, o que pode ter esgotado as baterias da sonda, fazendo com que o sistema de comunicação perdesse energia.
Greg Heckler, gestor-adjunto do programa da unidade que lidera as operações de comunicação espacial da NASA, afirmou que a rede de retransmissão em Marte da agência ainda conta com quatro outras naves espaciais em operação, mas observou que foram feitos “alguns pequenos ajustes” nas operações decorrentes da falha da Maven. Morgan disse que a rede de retransmissão é resiliente o suficiente para compensar a perda da sonda.
Responsáveis da NASA afirmaram que a Maven permanecerá em órbita mais 50 a 100 anos, antes de cair na superfície de Marte, e garantiram que tal não colocará em risco nenhuma das outras naves espaciais da agência. A Maven viaja numa órbita altamente elíptica — em formato oval — em torno de Marte, aproximando-se a uma distância de cerca de 180 a 220 quilómetros e afastando-se a cerca de quatro mil quilómetros.
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