Cerca de 70 docentes e investigadores universitários das principais instituições de ensino superior do país fundaram a primeira rede académica nacional de solidariedade com a Palestina e em defesa da liberdade académica.
A Rede Académica pela Justiça na Palestina (RAJAP), fundada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, conta com docentes e investigadores das universidades do Minho, Évora, Porto, Lisboa e Coimbra, segundo um comunicado da recém-criada organização.
A RAJAP, que se apresenta como sendo de âmbito “nacional e interuniversitário”, foi criada em resposta à “destruição em curso da vida académica palestiniana e a violência que a sustenta”.
Face ao “regime de ocupação, colonização e segregação imposto por Israel”, era exigida à comunidade académica portuguesa uma resposta “colectiva, organizada e duradoura”, argumentou a organização numa nota divulgada à Lusa.
Na carta fundacional assinada pela comunidade académica que integra a RAJAP, os membros comprometem-se, no “exercício individual e colectivo das suas responsabilidades académicas”, a manifestar “solidariedade activa com académicos, estudantes e instituições palestinianas”.
Os signatários também se comprometem a contribuir para a “protecção e continuidade das estruturas de produção de conhecimento na Palestina”, a valorizar e disseminar o conhecimento sobre a Palestina e a “defender a liberdade académica de quem investiga ensina ou se manifesta sobre estas questões nas universidades portuguesas”.
Os membros também prometeram recusar e denunciar “todas as formas de colaboração institucional” que sustentem “a ocupação ilegal do território palestiniano e a destruição em curso da vida académica palestiniana”.
Na mesma carta fundacional, a organização académica relembrou os ataques sistemáticos por parte de Israel a escolas, instituições de ensino superior, bem como a docentes e estudantes, acções designadas pelo termo “escolasticídio”, criado pela investigadora palestiniana Karma Nabulsi.
O termo refere-se precisamente ao “bombardeamento de salas de aula e bibliotecas, mas também ao assassínio de membros da comunidade académica, ao impedimento da reconstrução de equipamentos educativos e à negação do acesso à aprendizagem”.
A RAJAP sublinhou que, desde Outubro de 2023, todas as 12 instituições de ensino superior na Faixa de Gaza foram destruídas ou severamente danificadas e que nos primeiros 100 dias de guerra pelo menos 94 docentes e investigadores foram mortos.
Durante a assembleia que levou à fundação desta rede académica de solidariedade à Palestina, foi igualmente eleita uma comissão coordenadora para o ano lectivo de 2026/2027, composta por 14 docentes e investigadores de diferentes universidades do país, e que terá a tutela de deliberar sobre tomadas de posição públicas, campanhas e iniciativas de âmbito nacional.
Entre os membros da RAJAP contam-se a ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, que lecciona no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE).
A guerra na Faixa de Gaza provocou mais de 72.000 mortos e cerca de 172.000 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde do enclave, números considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
A ofensiva israelita no enclave – que também destruiu quase todas as infra-estruturas do território e provocou a deslocação de centenas de milhares de pessoas – começou após o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de Outubro de 2023, que causou cerca de 1200 mortos e 251 reféns.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de Outubro de 2025.
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