No próximo ano, será possível pagar com MB Way em lojas de Espanha, França ou Itália

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O telemóvel pertence ao italiano Massimo Itta. Está num terraço em Lisboa, há vista para o Tejo, o frio dos últimos dias não marca presença, e no seu telemóvel com o serviço de pagamentos digital Bancomat utiliza o leitor para captar o código de barras (o QR Code) do português MB Way que está no terminal de pagamentos do hotel. Itta consegue pagar, o sistema funciona. “Está feito, posso confirmar”, diz, para brincar logo a seguir: “É caro.” É a segunda vez que funciona: antes, já tinha acontecido o mesmo com o italiano Alfred Baroulier, com o sistema Wero (com presença em França, Bélgica e Alemanha), a fazer um pagamento ao digitalizar o QR Code do MB Way.

Só no próximo ano será possível isto acontecer para pagamentos nas lojas de forma massificada e comercial dos diferentes países envolvidos, mas a demonstração feita nesta quinta-feira, 16 de Abril, serve para isso mesmo: mostrar que estes sistemas europeus funcionam entre si e permitem a realização de pagamentos transfronteiriços.

É um passo para estas soluções privadas nacionais, como a da portuguesa SIBS, atingirem maior alcance, e não perderem potenciais clientes para outras instituições financeiras que têm ganhado peso nessas transacções, como a Revolut, e não ficarem dependentes do euro digital que o Banco Central Europeu está a desenvolver, precisamente para proporcionar operações financeiras a nível europeu, que só chegará, segundo o calendário previsto, em 2029. E é uma forma de abandonar a dependência da área de pagamentos europeia de gigantes americanas como a Visa e a Mastercard.

“Completámos, com os nossos parceiros, a prova de conceito”, sintetizou Teresa Mesquita, administradora executiva da SIBS, a dona do MB Way e do Multibanco, e que pertence à generalidade dos bancos portugueses, no encontro com jornalistas para fazer a demonstração. A prova de conceito, na tradução portuguesa de proof of concept, é o momento em que se testa o que esteve, teoricamente, a ser trabalhado, e estiveram presentes responsáveis dos três sistemas de pagamento para o fazer à frente de jornalistas, num terraço da capital portuguesa. “É um marco muito importante nesta cooperação, neste contexto em que estamos a ver como a Europa está a enfrentar desafios de autonomia e soberania dos serviços financeiros digitais”, continuou a responsável da SIBS.

Massimo Itta, responsável comercial do italiano Bancomat, assumiu que é a prova de que “soluções locais e privadas podem formar uma aliança, com o objectivo de abrandar ou eliminar a dependência de operadores extra-europeus”. “É um marco fabuloso, que vem no contexto de uma cooperação ainda mais alargada”, contextualizou Teresa Mesquita.

Esta demonstração dos três operadores enquadra-se no memorando de entendimento assinado entre cinco partes, envolvendo não só a SIBS, o italiano Bancomat e a EPI (que tem o sistema Wero, presente em países como a Alemanha, Bélgica e França), mas também os espanhóis da Bizum e os nórdicos da Vipps MobilePay. A demonstração foi feita só pelos três sistemas em que o QR Code está mais desenvolvido, mas a ideia é que também seja possível esta interoperacionalidade com o recurso ao NFC (tecnologia sem contacto, com a aproximação do telemóvel dos pagamentos).

A possibilidade de transacções de comércio electrónico e de pagamentos em loja, tanto por QR Code como NPC, será real em 2027, segundo o calendário dos envolvidos, nos 13 países europeus que estão incorporados nesta aliança privada.

Até aqui, e desde o ano passado, já era possível realizar transferências entre particulares nos sistemas MB Way, Bizum e Bancomat (Portugal, Espanha e Itália, respectivamente). A ideia, segundo explicaram os três responsáveis presentes na conferência, é que seja possível realizar as transferências entre particulares até ao fim deste ano em todos os países envolvidos na aliança.

“A necessidade de uma alternativa é agora. O euro digital está previsto para 2029, mas a necessidade é agora”, comentou, na conferência, Alfred Baroulier, o responsável da EPI, aliança privada de pagamentos nos países do centro europeu que desenvolveu o sistema Wero. Esta aliança dos cinco sistemas está aberta a outras soluções de pagamentos que existam e que se queiram juntar.

O euro digital está a ser desenvolvido pelo BCE como solução pública, não dependente de operadores privados, para permitir pagamentos transfronteiriços de forma segura, fiável e sem custos adicionais. É um modelo complementar ao dinheiro físico (Frankfurt tem deixado claro que não pretende substituí-lo) e em que a ideia é que seja capaz de captar investimentos que actualmente estão a ser direccionados para criptomoedas, completamente fora de amarras de bancos centrais. O desenvolvimento já passou testes políticos a nível europeu, mas a operacionalização ainda vai demorar, e a expectativa é de que tal aconteça em 2029.

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