Vários trabalhadores retiraram o nome do Presidente norte-americano Donald Trump do Kennedy Center na madrugada de sábado, menos de seis meses depois de ter sido colocado, cumprindo a decisão de um juiz segundo a qual o emblemático centro de artes performativas não pode ser renomeado sem uma lei do Congresso.
Os trabalhos começaram por volta da 1h20 (5h20 em Portugal continental), horas após o Departamento de Justiça (DOJ) ter declarado que a Administração não conseguiria cumprir o prazo determinado pelo tribunal, que terminava às 23h59 de sexta-feira, para retirar o nome de Trump do espaço de Washington, criado há meio século para homenagear um Presidente assassinado.
O conselho de administração do centro, presidido por Trump, votou em Dezembro a alteração do nome para The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts. Os trabalhadores começaram a fixar o seu nome no edifício no dia seguinte.
Remoção segue-se a incumprimento de prazo e recursos judiciais
Depois de montarem os andaimes ao final do dia de sexta-feira, os trabalhadores cobriram a estrutura temporária com lonas nas horas que antecederam o amanhecer, tendo sido vistos a retirar as letras por volta das 3h10, numa operação que demorou cerca de 30 minutos.
Ao final do dia de sexta-feira, o DOJ informou o tribunal de que falharia o prazo devido a tempestades de trovoada que poderiam colocar em risco a segurança dos trabalhadores, solicitando uma prorrogação de 12 horas.
A representante democrata Joyce Beatty, do Ohio, que moveu o processo que forçou a remoção do nome de Trump, considerou o pedido de prorrogação de um prazo com duas semanas “imperdoável” e parte de “um padrão de incumprimento”, de acordo com o documento do DOJ.
O centro abriu em 1971 como um memorial ao Presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963. Trump preencheu o conselho de administração com aliados desde que assumiu o cargo no ano passado.
Horas antes do recurso do DOJ, um juiz federal em Washington tinha recusado o pedido do departamento para suspender a ordem de remoção do nome de Trump.
O juiz conselheiro Christopher Cooper afirmou que não revogaria a ordem enquanto um tribunal de recurso federal analisa a sua decisão de que apenas o Congresso poderia renomear o espaço. A Administração recorreu da ordem para o Tribunal de Recurso do Distrito de Columbia, que também rejeitou o pedido de suspensão do Governo na sexta-feira.
A Casa Branca e o Kennedy Center não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Cooper deliberou a 29 de Maio que apenas o Congresso poderia alterar o nome do centro de artes. A sua ordem exigia que o nome de Trump fosse retirado da fachada do edifício, do seu sítio na Internet e de outros materiais.
Ao apelar ao tribunal de recurso para suspender a ordem, o DOJ argumentou: “Não faz sentido alterar o nome e a sinalética do Centro agora, apenas para potencialmente reverter o nome novamente após o que deverá ser um recurso bem-sucedido.”
Trump anunciou em Fevereiro o encerramento do centro por dois anos para uma grande renovação. O Presidente tem feito uma pressão mais ampla para remodelar o núcleo monumental de Washington, incluindo planos para um arco de 75 metros (250 pés) e um salão de festas com 8400 metros quadrados (90.000 pés quadrados) no local da Ala Leste da Casa Branca, que Trump mandou demolir em Outubro.
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