A 28 de Janeiro de 1969, ocorreu uma explosão num poço perfurado pela Plataforma A da Union Oil, ao largo da costa de Santa Bárbara, na Califórnia. Milhões de litros de petróleo foram derramados, matando mais de dez mil aves marinhas, golfinhos, focas e leões-marinhos. Em resposta a este desastre, os activistas mobilizaram-se para promover a regulamentação ambiental, a educação ambiental e propuseram a instituição de um Dia da Terra.
Em 1970, o senador americano Gaylord Nelson escolheu 22 Abril para celebração desse dia, por ser uma quarta-feira para maximizar a participação de estudantes universitários. Ao reunir cerca de 20 milhões de pessoas, pressionou a política norte-americana a tratar o ambiente como prioridade. Gaylord Nelson é lembrado como um dos pais do ambientalismo moderno por ter ajudado à preservação de habitats e, no Senado, defendido políticas contra a poluição, ligadas à energia limpa e ao combate ao aquecimento global. Só em 2009 a data foi formalizada como dia do planeta Terra, pelas Nações Unidas.
Este ano, o tema oficial é “O nosso poder, o nosso planeta”, lembrando que não há saúde humana sem saúde ambiental. Cuidar da Terra é cuidar da biodiversidade, do clima e da qualidade de vida de todos. Este tema salienta a importância de usar a influência colectiva para impulsionar soluções climáticas e exigir responsabilização por parte dos poluidores.
É urgente a transição energética perante a crise climática acelerada, mas não a qualquer custo, coarctando ou destruindo ecossistemas. Os impactos económicos das alterações climáticas em Portugal podem custar entre 0,2% e 2,5% do PIB até 2050, dependendo da gravidade do aquecimento global, com perdas agravadas por secas, incêndios e inundações. Sem adaptação, Portugal pode perder 10% do PIB anual em danos acumulados, revertendo décadas de crescimento.
Embora a natureza e, portanto, os ecossistemas mereçam ser protegidos por direito próprio, os ecossistemas também são “apreciados” pelos serviços que fornecem. Estes são definidos internacionalmente como as contribuições dos ecossistemas para o bem-estar humano. Isso significa que os serviços de ecossistemas geram benefícios que os humanos retiram da sua exploração, mas também da sua capacidade de manter e regular as condições climáticas e de oferecer benefícios culturais, como saúde, recreação ou rituais culturais.
Infelizmente este conhecimento não é interiorizado, muito menos valorizado. As actividades humanas continuam a remodelar as comunidades biológicas e os cursos de água para sua exploração, usando como justificação a necessidade de bens alimentares e a transição energética, afectando o funcionamento do ecossistema em toda a Terra. Mudanças climáticas, alterações no uso da terra e fragmentação dos habitats, superexploração, poluição e introdução de espécies invasoras são reconhecidas como as causas mais importantes da degradação dos ecossistemas.
Apesar de todos os anos este dia ser lembrado, não chega para alterar atitudes. No fundo, o ser humano só tem capacidade para alterar de forma radical o seu comportamento e o seu modo de vida se for confrontado com a catástrofe ou uma imposição legal. Já se faz tarde, mas teremos de reaprender a cuidar deste planeta onde vivemos. Será que o “comboio de tempestades” e a imposição do aumento dos preços do crude nos fará parar para pensar?
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