O controlo da asma: um compromisso entre a saúde e a produtividade

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A asma é uma das doenças crónicas mais prevalentes em idade ativa, com impacto significativo na qualidade de vida e no desempenho escolar e profissional. Em Portugal, estima-se que cerca de 7% da população adulta tenha asma. Quando não controlada, a asma traduz-se frequentemente em absentismo, recurso a serviços de urgência e, nos casos mais graves, hospitalizações.

A evidência científica mostra que asma se encontra associada com um aumento significativo do absentismo laboral. Estudos populacionais demonstraram que os doentes com asma apresentam períodos de ausência ao trabalho, quase duas vezes superiores aos da população sem doença respiratória, com valores na ordem dos 16%. Este impacto é particularmente marcado nos doentes com asma não controlada, que concentram uma proporção significativa das perdas de produtividade associadas à doença, com repercussões relevantes a nível individual, organizacional e económico.

Importa sublinhar que uma parte substancial deste impacto é evitável. De acordo com recomendações internacionais da Global Initiative for Asthma, a maioria dos doentes pode atingir um bom controlo da doença através de diagnóstico precoce, utilização regular de terapêutica anti-inflamatória inalada e acompanhamento médico adequado. No entanto, verifica-se que a grande maioria (70%) não se encontra controlada, frequentemente por baixa adesão à terapêutica, técnica inalatória inadequada ou à tendência para normalizar sintomas persistentes que limitam de forma relevante o dia a dia.

A prevenção do absentismo laboral, neste contexto, exige uma abordagem integrada, que inclua a promoção de ambientes de trabalho saudáveis, a melhoria da literacia em saúde e o envolvimento ativo dos doentes na gestão da sua doença. Um aspeto essencial é a utilização regular da medicação preventiva para a asma, que atua sobre a inflamação das vias respiratórias, ajudando a manter a doença controlada. Trata-se de uma estratégia segura, amplamente estudada e eficaz, que permite reduzir crises e evitar faltas desnecessárias ao trabalho.

Não podemos ignorar que vivemos num mundo em rápida transformação. As alterações climáticas e os níveis crescentes de poluição urbana contribuem para uma maior complexidade dos doentes e para um aumento da frequência das agudizações. Este cenário exige uma resposta clínica mais próxima e integrada, mas também uma mudança clara de paradigma nas organizações e empresas, que devem assumir um papel ativo na proteção da saúde respiratória dos seus trabalhadores.

Um trabalhador com doença respiratória bem controlada é, tendencialmente, mais focado, mais produtivo e mais resiliente.

Mais do que tratar crises quando surgem, o essencial é evitá-las. Manter a asma bem controlada permite às pessoas levar uma vida mais estável, com menos limitações no dia a dia e menos faltas ao trabalho. Ao mesmo tempo, contribui também para uma maior produtividade e para o bom funcionamento das organizações, com benefícios para todos.

Dispomos hoje de fármacos e dispositivos inalatórios altamente eficazes. Ainda assim, o seu impacto é frequentemente limitado pela baixa adesão à terapêutica e pela desvalorização dos sintomas. O meu apelo, enquanto clínico, é que não aceitem a falta de ar ou a tosse como “normais”.

O controlo da asma reduz crises, evita idas desnecessárias à urgência e limita o absentismo. O nosso objetivo é garantir que a saúde respiratória deixe de condicionar o desempenho profissional. Porque, no final do dia, uma população que respira melhor é também uma população mais produtiva, e uma economia mais forte.

O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

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