Noutros tempos, chamava-se a isto “dar ao povo o que ele quer”; nas novas terminologias do mundo digital, trata-se de fazer fan service, mesmo quando o que os fãs e o povo querem é teimosamente analógico e resistente às métricas de links, reposts, comentários e outras optimizações de pesquisa. Não é certamente por acaso que a “segunda edição” de O Diabo Veste Prada, esgotado que está o best-seller de Lauren Weisberger que lhe deu origem, parte das questões contemporâneas que colocam em causa a sobrevivência do jornalismo em papel à moda antiga e ameaçam deitar abaixo a veneranda instituição nova-iorquina de moda que é a (ficcional) revista Runway.
Mas isso agora não interessa nada, porque não é para isso que aqui estamos (não se deixem enganar pelo que não passa de uma constatação superficial usada essencialmente como Macguffin para pôr a trama em movimento). Estamos aqui para ver Meryl Streep em rainha do gelo com mão enluvada de ferro; Stanley Tucci como o seu braço direito que é também eminência parda; Anne Hathaway como cisne gracioso que se volta a sentir patinho feio ao regressar à redacção da revista; e Emily Blunt como sonsa falsa e maquiavélica. Estamos aqui para ver intrigas de bastidores, facadas nas costas, olhares acutilantes, roupas de marca, gente bonita, comentários ácidos de efeito ao retardador e piadas de gumes afiados, e La Streep em diva do Olimpo que olha de cima para os comuns dos mortais com um misto de desdém e perplexidade. (No género, só La Huppert lhe está à altura — à atenção dos produtores para um eventual Diabo Veste Prada 3).
E é exactamente isso que o realizador David Frankel e a argumentista Aline Brosh McKenna, repetentes do filme original, entregam: mais do mesmo, como se não tivessem passado 20 anos, com Milão a fazer as vezes de Paris e as personagens a parecerem não ter realmente mudado no tempo entretanto decorrido. Concedamos: é simpático ver uma alta comédia que não tem pretensões a ser o supra-sumo da barbatana, que se compraz no seu profissionalismo bem rodado e savoir-faire desenvolto, para maior glória das suas estrelas. Estas, por seu lado, fazem valer o seu estatuto e a imagem e encaixam o cheque milionário por trabalho honesto de alto nível, mas sem rasgos nem desafios.
Quando havia filmes destes por dá cá aquela palha, dizia-se “vê-se bem”. E é exactamente isso: O Diabo Veste Prada 2 vê-se bem (não tão bem como o primeiro). Não parece ser muito? Se calhar não é, mas um filme que se vê bem é exactamente aquilo de que precisamos agora.
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