O fim da era dos chefes de família

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A família é o primeiro contacto que uma pessoa tem com uma estrutura de poder. Uma experiência que, para o bem e para o mal, há-de moldar a forma como se relaciona com a autoridade, e como há-de exercê-la, quando chegar a sua vez. Uma família demasiado liberal e democrática pode deixar uma criança a desejar mais estrutura e mais regras. Por outro lado, uma família excessivamente rígida pode fazer com que a criança cresça sequiosa de liberdade. Na maior parte dos casos, os filhos tentarão ser os pais que gostariam de ter tido e acabarão, também eles, a errar por excesso ou por defeito, para um lado ou para o outro, instigando nos filhos a mesma ânsia num ciclo que se arrisca a não ter fim. O que ajuda a explicar por que razão quase ninguém tem os pais que desejaria e quase ninguém é o progenitor que gostaria de ser. Mas os pais, não sendo um par de luvas, não têm de assentar como se fossem. E aprender a lidar com a frustração é parte essencial do crescimento individual.

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