O último elefante de circo em Portugal – de seu nome Julie – vai ser transferido para um santuário para elefantes em fim de vida instalado nos concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, no distrito de Évora, anuncia-se, esta quinta-feira, num comunicado conjunto do Circo Victor Hugo Cardinali e da organização Pangea Trust, que é a responsável pelo espaço. Espera-se que chegue ao território alentejano em Junho deste ano.
Julie viajou do Sul de África para Portugal ainda cria e juntou-se ao Circo Victor Hugo Cardinali em 1988, indica-se na nota enviada à imprensa. Com a proibição do uso de animais selvagens em circos pelo Parlamento português, em 2018, e com a sua entrada em vigor, Julie – um elefante fêmea – foi retirada de actividade em 2024.
Victor Hugo Cardinali
“Enquanto o Circo Victor Hugo Cardinali ponderava o futuro de Julie, a Pangea reuniu condições para lhe oferecer um lar definitivo”, refere-se no comunicado, adiantando-se que “o acordo foi alcançado de forma voluntária”. Também se informa que o circo continuará “estreitamente envolvido ao longo de toda a transição”.
Neste momento, a Pangea e o circo estão a fazer as avaliações de saúde ao mamífero. Por agora, espera-se que Julie chegue ao santuário em Junho deste ano. Na apresentação do espaço no Alentejo, em Novembro de 2025, Miguel Repas, consultor técnico principal da organização, dizia ao PÚBLICO que havia “conversações sobre a possibilidade de se vir a receber o elefante do Circo Victor Hugo Cardinali”.
“Por toda a Europa, circos e jardins zoológicos estão a chegar a um ponto em que manter elefantes deixou de ser possível ou adequado — seja por alterações legislativas, pela perda de um companheiro, ou pela decisão de seguir um novo rumo”, afirma Kate Moore, directora-geral da Pangea, numa declaração enviada à imprensa. “Trabalhar em parceria com os proprietários para encontrar a solução certa é central à forma como operamos, e foi assim que aconteceu com o Circo Victor Hugo Cardinali.”
Já Victor Hugo Cardinali assinala que “esta não foi uma decisão fácil”: “A Julie é um membro profundamente querido da nossa família há mais de 30 anos, mas acreditamos que esta é a decisão certa para ela.”
Antes da chegada de Julie, prevê-se que Kariba (também um elefante fêmea), que está num jardim zoológico belga, “chegue no final de Maio” a Portugal, indica ao PÚBLICO fonte oficial da Pangea. “O santuário está oficialmente ‘aberto’ quando os primeiros elefantes chegarem. No entanto, não estará aberto ao público”, ressalva ainda a organização, a propósito da tranquilidade que terá de ser dada aos animais. Quanto às visitas, a ideia é que o espaço seja aberto a pequenos grupos de doadores todos os anos, existam programas para escolas, voluntariado e investigação, assim como um dia aberto para a população local.
Este santuário ficará instalado num terreno de 402 hectares nos concelhos de Vila Viçosa e do Alandroal, tendo sido adquirido em 2023 pela Pangea, que tem como missão acabar com a exploração de elefantes na Europa. O projecto tem a parceria dos dois municípios. Este é já apelidado como “o primeiro santuário de elefantes em grande escala da Europa” e tem como grande objectivo dar cuidados vitalícios aos elefantes que vêm de jardins zoológicos e circos.
O espaço terá uma capacidade estimada para receber entre 20 e 30 elefantes, mas o número pode ser revisto, indicou-se na apresentação do santuário em Novembro do último ano. Nessa altura, indicava-se que o seu investimento estava a ser privado e totalmente estrangeiro, tal como o da própria organização sem fins lucrativos – que foi constituída no Reino Unido e Portugal –, o que inclui grandes doações, contribuições individuais, subsídios de fundações e instituições. Nessa ocasião, Kate Moore avançou que o financiamento para os próximos dez anos seria de cerca de 15 milhões, mas poderia vir a aumentar conforme as necessidades do projecto.
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