Uma “oficina desobediente de activismos”
No Porto, o Lino Espaço Cultural acolhe Memória(s) à Procura de Lugar, uma exposição sobre a resistência antifascista na Invicta, onde se “retrata a herança difícil do passado fascista e colonialista português”. O plano abre-se a partir de dez testemunhos de quem esteve nessa luta, por sua vez encapsulados num objecto escolhido por cada um.
São estes que vêm “desafiar novos diálogos intergeracionais”, numa espécie de museu temporário — à falta de um dedicado — que funcione como “oficina desobediente de activismos em defesa da liberdade, da democracia e dos direitos conquistados com a Revolução do 25 de Abril de 1974”, assinala o curador, Luís Monteiro. Está patente até 2 de Maio, das 14h30 às 19h entre terça e sexta, e a partir das 10h ao fim-de-semana. A entrada é livre.
Cravos para o capitão
Santarém, onde Salgueiro Maia galvanizou as tropas de 240 homens que se encaminhariam para Lisboa, integra na agenda uma elegia ao capitão, pelas 11h, no Jardim dos Cravos. É um dos momentos mais simbólicos de um 25 de Abril recheado de “cultura, memória e participação”, descreve a autarquia. A partir das 10h30, altura em que as bandas filarmónicas locais “acordam a cidade”, há iniciativas festivas por todo o lado, a envolver a comunidade e a propor animação constante, entre música, gastronomia, intervenções e desfiles pelo centro histórico. O programa completo está em www.santaremcultura.pt.
As propostas para lembrar Abril continuam nos dias seguintes: dia 29, o Cineclube de Santarém projecta no Teatro Sá da Bandeira, às 21h30, a Fantasia Lusitana de João Canijo, um filme sobre, nas palavras do próprio realizador, “os dois níveis de realidade em Portugal, o mundo em guerra e a fantasia do país neutral, o mito criado por Salazar” (bilhetes a 5€). A 2 de Maio, na Sociedade Recreativa Operária, é apresentado um livro de testemunhos recolhidos pela Associação dos Exilados Políticos Portugueses; e, a 9, folheia-se na Sala de Leitura Bernardo Santareno a Revolução assinada por Maria Inácia Rezola, a historiadora que presidiu às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
Lições de história
Alvorada, camaradas: às 8h de domingo, dia 26, arranca o passeio O Fascismo Passou por Aqui, desde Lisboa até Peniche. Organizado pela Fundação José Saramago, vai na peugada do que o Nobel escreveu sobre o tema e percorre locais da capital que ficaram ligados à repressão do Estado Novo. Depois, ruma à Fortaleza de Peniche, para mais lições de história contadas pelas paredes e exposições do Museu Nacional Resistência e Liberdade. Quem quiser participar deve contactar a fundação pelo e-mail apoio@josesaramago.org.
A cidade em revoluções
O Museu de Lisboa põe-se a andar por praças e paços desta e de outras revoluções. É mais uma edição do percurso O Povo Está na Rua!, que se foca nos “múltiplos golpes, insurreições, motins, rebeliões e revoltas” que marcaram a história da capital e do país, num arco temporal que vai de 1385 a 1974. Há 2,1 quilómetros a palmilhar neste sábado, às 15h, ao longo de duas horas. Destina-se a maiores de 12 anos e cobra 7€ a cada caminhante.
Faz parte das Festas de Abril, cujos últimos cartuchos ainda hão-de ressoar na abertura a visitas do Museu do Aljube (das 10h às 18h), onde se recomenda ver como Elas Tiveram Medo e Foram, na exposição ali patente até 31 de Janeiro; na estreia no São Luiz de Um Homem e o Seu Criado, criação circense de Cláudia Nóvoa sobre o poder (às 19h30, com repetição dia 26, às 16h; 12€); e no desafio para famílias Abril no Castelo: Caminhos na Liberdade, em que se descobre como o Castelo de São Jorge “passou de espaço de poder e controlo a espaço de liberdade e partilha” (às 11h; incluído na entrada no monumento, mediante inscrição).
Um tesouro de vila
Grândola, a “vila morena”, que Zeca Afonso celebrou e que continua a ecoar sem páreo nas memórias de Abril, já está em festa desde que o mês começou. Neste sábado, começa por hastear bandeiras, distribuir cravos e honrar combatentes, para à tarde se entregar a corridas, caminhadas e desfiles pela liberdade, dançar em bailes, conversar sobre a classificação dos fonogramas de Grândola, vila morena como tesouros nacionais e, entre outros eventos, homenagear Francisco Fanhais e aproveitar a presença de Luís Galrito, músico que participou nas gravações da icónica canção, para lhe atribuir a medalha de honra do município. Mais informações em www.cm-grandola.pt.
A caminhar e desfilar
Em marcha desde dia 10, as comemorações de Beja atingem o píncaro neste fim-de-semana. No sábado, pela fresca (às 8h45), há Caminhada da Liberdade com início no jardim público, onde a partir da 10h se instala uma manhã em família repleta de jogos tradicionais gigantes e insufláveis, bem como demonstrações desportivas, seguida da visita à exposição Vozes Que Ecoam na Liberdade (Espaço Futurama, às 11h). À tarde, depois de um Desfile da Liberdade pela cidade, há baile com Celina da Piedade (às 15h) e um concerto de Khiaro às 22h30.
Entre outras actividades, destaca-se ainda uma tarde de domingo reservada a um dos Passeios Luminosos locais, sob o tema Dos Cantes e das Violas, Sons de Beja e do Alentejo e com a etnomusicóloga Maria José Barriga como guia (às 16h).
Memórias da liberdade
No centro histórico de Lagos, pelas 11h30 de sábado, a estátua do Infante D. Henrique testemunha o arranque de 25 de Abril – Percurso por Memórias, uma visita guiada gratuita que se passeia, através das ruas, pela recordação do contributo que as tropas da cidade deram, há 52 anos, ao Movimento das Forças Armadas.
A tarde pode ser passada na Casa da Paragem, em Barão de São João, onde às 14h30 se abre um encontro comunitário que começa por distribuir cravos de croché (feitos à mão, num workshop na véspera). Depois, assiste à actuação do coro da povoação e partilha Testemunhos da Liberdade num círculo de memórias em que antigos autarcas e cidadãos lembram como ali foram as primeiras eleições em democracia. Os festejos envolvem ainda uma intervenção poética, a leitura de artigos fundamentais da Constituição e a exposição de um painel de memória colectiva com retratos de Abril.
Às 17h, mas já no Centro Cultural de Lagos – Auditório Duval Pestana, há Vozes da Liberdade a fazer-se ouvir através da Orquestra Ligeira de Lagos, com entrada livre. Recomenda-se ainda a passagem pelo projecto de intervenção artística de rua A Ressonância das Tuas Palavras e pela exposição Pela Borda Fora: A Exclusão no Estado Novo Português, na Biblioteca Municipal.
São apenas alguns pontos de Lagos, a Liberdade e a Democracia, um programa que não se esgota em Abril, mas que se expande até ao final do ano com cinema, palestras, debates, oficinas, concertos, desporto e outras actividades organizadas pelos órgãos municipais em conluio com as freguesias, no sentido de, como se lê na nota da autarquia, “envolver nesta celebração todas as forças vivas locais”.
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