Oppo Find X9 Ultra em teste: bate os melhores na fotografia

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Quem anda nestas lides de testar tecnologia há décadas desenvolveu uma espécie de calo céptico sempre que uma marca anuncia “the next big thing”. Já vi telefones em forma de tijolo, a febre bizarra dos ecrãs curvos, a obsessão pela espessura anoréctica e, mais recentemente, a torrente de inteligência artificial que promete fazer tudo por nós, mas que muitas vezes só distorce a realidade. Por isso, quando me chega às mãos um smartphone que se anuncia como tendo as melhores câmaras, batendo iPhones e companhia, a minha reacção natural é levantar uma sobrancelha. Contudo, após duas semanas de utilização intensa do novo Oppo Find X9 Ultra, devo admitir que a marca não está a fazer promessas vãs. Estamos perante um topo de gama premium sem medo de ser comparado com melhor da Samsung ou da Apple.

Sensação de segurar uma câmara

A primeira coisa que se nota ao pegar no Find X9 Ultra é que este aparelho não pede desculpa pelo tamanho. É pesado, mesmo para um topo de gama, e ostenta uma proeminência generosa no gigantesco módulo traseiro. Este não é um aparelho pensado para passar despercebido no bolso das calças de ganga apertadas. O design da traseira, inspirado no corpo da icónica Hasselblad X2D, confere-lhe uma personalidade analógica muito vincada.

Testámos a versão com a traseira coberta em pele vegan, que oferece uma aderência soberba — algo essencial quando seguramos um investimento deste calibre para enquadrar uma paisagem à beira de um penhasco. Para os mais arrojados, existe a versão “laranja canyon”, construída em fibra de “grau aeronáutico”, seja lá o que isso for. Um detalhe importante para a longevidade do aparelho é a arquitectura “armor shield” com tripla certificação IP66, IP68 e IP69. Isto significa que o utilizador pode continuar a registar imagens sem receio em condições ambiente difíceis, mesmo que seja apanhado por uma chuvada monumental no Inverno ou por areia levantada por uma rajada de vento na praia.

A ergonomia foi desenhada a pensar na fotografia sobre a horizontal: os logótipos alinhados, o botão dedicado ao disparo e o anel táctil imitam a mecânica de uma câmara clássica. Ao segurar-se o telemóvel como se fosse uma câmara dedicada, o indicador cai naturalmente sobre o botão de disparo que também controla o zoom com movimento de swipe. Confessamos que durante os primeiros dias acabámos muitas vezes por tocar neste botão inadvertidamente, activando a câmara e fazendo fotos acidentais. Como também há um botão específico para activar o modo de IA, é muito fácil agarrar o telemóvel e activar qualquer coisa que não queremos. Mas, depois de alguns dias, acabamos por nos habituar a, como dizia Steve Jobs, “aprender a agarrar correctamente o telemóvel”.

Maturidade tonal

O verdadeiro espectáculo começa quando abrimos a aplicação nativa da câmara. O sistema Hasselblad Master dispõe de cinco câmaras traseiras personalizadas. A câmara principal assenta no novo sensor Sony 1/1,12 polegadas com uns colossais 200 megapíxeis. Embora apresente uma ligeira redução da área face aos sensores de uma polegada da geração transacta, a abertura de f/1.5 compensa na apreensão de luz. Na prática, isto traduz-se em capturas nocturnas com um alcance dinâmico amplo, onde os candeeiros de rua não rebentam os brancos e as zonas de sombra mantêm texturas reais, sem aquele aspecto “lavado” e artificial gerado por algoritmos de noite agressivos.

A acompanhar a lente principal temos uma câmara intermédia de 3x (70mm), também com 200 MP e o maior sensor da sua categoria (1/1,28 polegadas). É, sem qualquer margem para dúvidas, uma das melhores lentes para retrato que já experimentei num telemóvel, proporcionando um efeito de desfoque de fundo (bokeh) óptico, progressivo e muito “sedoso”. Além disso, a distância mínima de focagem de apenas 15 centímetros permite utilizá-la como uma lente macro, captando os detalhes texturizados de uma flor ou os circuitos de um relógio mecânico com nitidez cirúrgica.

Mas a jóia da coroa é a nova teleobjectiva Hasselblad Ultra-Sensing, montada sobre um sensor de 50 MP, com zoom óptico de 10x (230mm). De modo a respeitar as implacáveis leis da física e enfiar esta distância focal num chassis de smartphone, a Oppo recorreu a uma estrutura periscópica de reflexão de prisma quíntuplo. A luz faz um ziguezague de cinco voltas no interior, permitindo encolher o tamanho do módulo em 30%. Junte-se-lhe a estabilização por movimento de sensor e temos a capacidade prática de fotografar a expressão de um artista da bola a partir do segundo anel do estádio ou a vida selvagem sem perturbar a rotina dos animais. Até aos 20x, a qualidade mantém-se incrivelmente nítida.

Muitas marcas sofrem do pecado do processamento excessivo — céus demasiado carregados, rostos excessivamente polidos. A Oppo, fruto da parceria de cinco anos com a Hasselblad, parece ter atingido um patamar superior. O Modo Hasselblad Master de nova geração evita deliberadamente o mapeamento de tons agressivo. Ao optar por fotografar em 50MP RAW MAX, terá um ficheiro digital incrivelmente flexível para trabalhar na pós-produção, retendo dados cromáticos puros graças à câmara multiespectral, que mede o balanço de brancos com extrema precisão. A consistência cromática entre as várias lentes é exemplar: quer mude da ultra grande angular de 50 MP para a teleobjectiva de 10x, o tom da pele ou a cor da vegetação permanecem idênticos.

Esta foto, feita num átrio de um hotel com pouca luz, demonstra a excelente capacidade de lidar com texturas complexas
DR

Ambições cinematográficas

No plano do vídeo, as exigências profissionais foram levadas muito a sério. O Find X9 Ultra permite gravar em 4K a 60fps com Dolby Vision HDR em todo o intervalo de zoom (de 0,6x a 30x). Para quem gosta de controlo total na edição de cor, a grande novidade é a introdução do perfil O-Log2 com codificação de dez bits e certificação ACES, facilitando a integração em fluxos de trabalho cinematográficos profissionais. Há ainda suporte para gravação nativa em 8K a 30fps e 4K a 120fps.

Um pormenor de utilização excepcional é a funcionalidade LUT Burn-in: pode carregar os seus perfis de cor 3D LUT favoritos directamente no dispositivo e aplicá-los logo no ficheiro de vídeo final, poupando horas de gradação de cor na pós-produção se o intuito for uma publicação rápida. Pedimos desculpa por estas últimas frases de palavreado técnico, mas são informações importantes para alguns utilizadores mais avançados.

A transição de zoom entre as diferentes lentes em vídeo, contudo, ainda deixa notar um pequeno “salto” visual na fluidez óptica, um dos poucos pontos onde a marca ainda pode limpar arestas através de actualizações de software.

Desempenho de topo de gama

Para gerir esta quantidade industrial de dados visuais, o dispositivo vem equipado com a plataforma Snapdragon 8 Elite Gen 5 e um ecrã AMOLED de 6,82 polegadas com taxa de 144Hz que atinge uns impressionantes 3600 nits de brilho máximo sob luz solar directa. Mas o que verdadeiramente nos surpreendeu num quotidiano de trabalho intenso foi a bateria de silício-carbono de 7050 mAh. Num mercado premium habituado a estagnar nos 5000 mAh, esta célula maciça garante que podemos passar um dia inteiro a filmar e a fotografar na rua sem a típica ansiedade de ver a percentagem esgotar-se a meio da tarde. Quando a energia desce, os 100W de carregamento ultra-rápido com fios ressuscitam o dispositivo num ápice.

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