Quando António Guterres chegou a primeiro-ministro, não sentiu o seu antecessor, Cavaco Silva, a respirar-lhe no pescoço. O mesmo se pode dizer dos que vieram depois: Durão Barroso não condicionou Santana Lopes; José Sócrates não teve uma sombra permanente atrás de si; e Pedro Passos Coelho, já no poder, não foi alvo de uma vigilância interventiva dos que o antecederam. Em Portugal, a regra tem sido a contenção pública dos ex-líderes. É por isso que sobressai — e já roça o excesso — a insistência com que Passos Coelho critica Luís Montenegro, líder do seu próprio partido e antigo delfim, que chefiou a bancada durante os anos da PàF (“Portugal à Frente”, coligação formada em 2015 por PSD e CDS-PP).
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