Aí está uma reacção positiva ao anúncio de acordo entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim ao conflito que dura há mais de três meses e que deverá permitir a livre navegação no estreito de Ormuz. O preço do petróleo, referência para a Europa, cai mais de 5% esta segunda-feira, para valores próximos de 80 dólares, o gás natural também desce, e as bolsas sobem.
Ainda que se trate de um memorando de entendimento, cuja assinatura oficial está marcada para sexta-feira, 19 de Junho, o impacto é visível no preço do barril de petróleo Brent, que caía 5,07% ao início da manhã, para 82,90 dólares, para mínimos de 11 de Março, e já longe dos 122 dólares a que chegou recentemente.
Também o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, desvalorizava mais de 5%, para 80,59 dólares.
E o gás natural, negociado em Amesterdão, afundava igualmente 5,88%, para 44,034 euros por megawatt (MWh).
A subida do preço do petróleo e do gás natural foi uma das consequências directas do conflito no Médio Oriente, porque tornou impossível a circulação de navios no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial, com impacto na economia mundial.
Por enquanto, o acordo para reabrir o estreito de Ormuz nos próximos dias ainda está a ser recebido com cautela por armadores e comerciantes, que aguardam mais detalhes para avaliar se é possível garantir a segurança das travessias marítimas.
Segundo a empresa de inteligência de dados Kpler, citada pela agência Bloomberg, há quase 600 navios retidos no Golfo Pérsico, prontos para sair, enquanto centenas também aguardam vazios no lado exterior do golfo, um tráfego que demorará a normalizar, mas que será crucial para a reposição de reservas, que se encontram em níveis muito baixos.
Nos mercados accionistas europeus, as reacções também são positivas, à excepção dos títulos das petrolíferas, que estão a corrigir das subidas acumuladas desde o início do conflito. Contudo, as valorizações são, por enquanto, abaixo de 1,5%.
Na bolsa de Lisboa, o peso da Galp, que desvaloriza mais de 4%, conseguiu colocar o PSI no “vermelho”, a recuar 0,30%, depois de uma abertura ligeiramente positiva, e em contra-corrente com as valorizações dos restantes índices europeus.
O sentimento positivo – que começou na Ásia, onde o principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, encerrou com uma valorização de 4,99%- reflecte-se na valorização de 1% do EuroStoxx 600, o principal índice europeu, mas que integra várias petrolíferas.
Também as bolsas de Paris e Frankfurt subiam 1,47% e 1,74%, bem como as de Madrid e Milão, que se valorizavam 1,38% e 1%, respectivamente. Londres apresentava um desempenho mais modesto, de apenas 0,62%.
Os futuros do Dow Jones e do Nasdaq seguem a negociar em alta, antecipando uma abertura positiva das praças americanas.
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