Atrás de Laurie Anderson, subindo nas suas costas, uma longa lista de palavras eliminadas nos últimos anos dos documentos federais norte-americanos (activismo, anti-racismo, barreira, crise climática, discriminação, diversidade, energia limpa, grávidas, igualdade, negro/a/os/as, mulheres, nativos/as americanos/as, pertença, trans, viés, entre muitas outras, inventariadas em Março de 2025 pelo New York Times). Enquanto extrai notas chorosas do seu violino, a artista lembra que, ao eliminar as palavras, se elimina a capacidade de nomear — um atalho para o desaparecimento das ideias, dos conceitos que a linguagem concretiza. Ou seja, uma acção programada e estratégica de uma facção política para moldar e transformar (e afunilar) a realidade. Semelhante, em sentido inverso, à introdução no discurso público, por Donald Trump, de um possível terceiro mandato presidencial (proibido pela Constituição): falando-se disso a toda a hora, aquilo que antes era uma impossibilidade prática passa a ser um tema susceptível de ser discutido.
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