A investigação policial britânica sobre Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe André, será longa e complexa, afirmaram oficiais superiores nesta sexta-feira, após a sua detenção no início deste ano por suspeita de abuso de poder, um crime que pode incluir conduta sexual imprópria.
O irmão mais novo do rei Carlos foi interrogado durante horas por detectives depois de ter sido detido na sua casa em Norfolk, em Fevereiro, na sequência da divulgação de milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionados com o criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, que foi encontrado morto na sua cela, em 2019.
A detenção do membro da realeza, oitavo na linha de sucessão ao trono, foi sem precedentes na era moderna. Uma foto da Reuters do ex-príncipe, com o rosto pálido, a sair da esquadra da polícia, foi capa de jornais em todo o mundo.
Mountbatten-Windsor, de 66 anos, o segundo filho da rainha Isabel II, sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein e afirmou que lamenta a sua amizade. Não fez qualquer declaração pública desde a sua detenção.
Investigação extremamente minuciosa
“A investigação é, por necessidade, extremamente minuciosa e levará tempo”, disse aos jornalistas Oliver Wright, subcomissário da Polícia de Thames Valley, que está a conduzir o inquérito. “Não será, de forma alguma, uma investigação rápida.”
O foco do inquérito é o papel do ex-príncipe como representante especial para o comércio e o investimento entre 2001 e 2011, com e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça a sugerirem que ele partilhou informações confidenciais com Epstein.
No entanto, a conduta indevida no exercício de funções públicas, que acarreta uma pena máxima de prisão perpétua, pode estar relacionada com qualquer irregularidade grave — desde a partilha de informações confidenciais até à corrupção e à conduta sexual indevida.
“Há uma série de aspectos da alegada conduta indevida que a investigação está a analisar. Por isso, estamos a falar com várias testemunhas”, disse Wright, que não referiu Mountbatten-Windsor pelo nome, como é habitual na Grã-Bretanha antes de alguém ser acusado.
Wright disse que a polícia tinha recebido “uma quantidade significativa de informações” do público e de outras fontes e que a investigação seria incrivelmente complexa. Afirmou que a polícia estava também a avaliar relatos de que uma mulher teria sido levada para um endereço em Windsor em 2010 para fins sexuais, depois de um advogado da alegada vítima ter dito à BBC que ela tinha sido enviada para a Grã-Bretanha por Epstein para um encontro sexual com o antigo príncipe.
Os detectives falaram com o advogado, mas a mulher envolvida ainda não apresentou queixa. A polícia britânica afirmou que algumas vítimas podem sentir-se intimidadas devido à pressão da atenção nacional e internacional.
“No que diz respeito às vítimas e sobreviventes de Epstein, esperamos que qualquer pessoa com informações relevantes se manifeste e quero realmente salientar que a nossa porta está aberta sempre que uma vítima ou sobrevivente estiver pronta para colaborar connosco. Estamos prontos para vos receber, seja quando for”, disse Wright.
Uma equipa especializada de agentes experientes está a conduzir a investigação, que está a ser tratada como um crime grave, a par de um inquérito de homicídio. Têm também mantido contacto com o Departamento de Justiça dos EUA, mas ainda não receberam nenhum dos documentos de Epstein.
“Isso está em curso, e é algo bastante complexo de se fazer, mas estamos a trabalhar arduamente nisso”, disse Wright. Na quinta-feira, o Governo britânico divulgou documentos confidenciais relacionados com a nomeação de Mountbatten-Windsor como enviado comercial, que revelavam que a falecida rainha tinha pressionado para que ele assumisse o cargo.
No entanto, o rei Carlos, que retirou ao seu irmão os títulos e patrocínios em Outubro passado, afirmou estar profundamente preocupado com a notícia quando Mountbatten-Windsor foi detido e que as autoridades contavam com o “apoio e cooperação total e incondicional” da família.
A Thames Valley não é a única força policial britânica a investigar possíveis crimes relacionados com as informações contidas nos arquivos de Epstein. Na terça-feira, a polícia de Surrey afirmou estar a investigar duas alegações de abuso sexual de menores, uma das quais terá sido cometida na década de 1980 e a outra entre meados da década de 1990 e 2000. Não foram fornecidos mais detalhes sobre quem estaria envolvido.
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