Polónia retira condecoração a Zelensky em protesto contra nome dado a unidade militar

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O presidente da Polónia, Karol Nawrocki, decidiu retirar ao seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, a mais alta condecoração do país, depois de ele ter dado a uma unidade do Exército da Ucrânia o nome do Exército Insurgente Ucraniano (EIU), um grupo nacionalista que massacrou polacos durante a Segunda Guerra Mundial, gerando indignação entre os seus vizinhos.

A decisão de Nawrocki, anunciada apenas a alguns dias de uma conferência sobre a reconstrução da Ucrânia, que terá lugar na cidade polaca de Gdansk, parece abrir espaço para uma grave crise diplomática entre os dois países.

“Tendo em conta o consentimento do Presidente Volodymyr Zelensky para atribuir a uma das unidades das Forças Armadas da Ucrânia o nome de ‘Heróis do EIU’, decidi retirar a Ordem da Águia Branca ao Presidente da Ucrânia”, afirmou Nawrocki num comunicado ontem divulgado.

“Neste momento, gostaria de salientar: esta decisão não é dirigida contra o povo ucraniano”, acrescentou o Presidente polaco, salientando que a decisão “não significa uma mudança na orientação estratégica da política de segurança [do país]”.

Não houve qualquer comentário imediato por parte do gabinete de Zelensky ao anúncio.

Embora Varsóvia seja uma firme defensora do esforço de guerra de Kiev, a opinião pública em relação à Ucrânia tem-se tornado cada vez mais negativa nos últimos anos, devido ao cansaço face aos refugiados, às disputas sobre as importações de cereais e ao legado dos massacres da Segunda Guerra Mundial.

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, classificou a decisão como um “erro estratégico” dos polacos. “Lamentamos que, em vez de procurar soluções, a parte polaca tenha decidido agravar este conflito a um nível inaceitável e inadequado”, escreveu o governante no Facebook.

Na sexta-feira ao fim da tarde, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, um adversário político de Nawrocki, que tinha tentado acalmar o conflito, apelou a ambos os líderes para que acalmassem os ânimos.

“O conflito entre a Polónia e a Ucrânia deixa Putin encantado e choca os nossos aliados”, afirmou o primeiro-ministro, frisando que a tarefa dos Presidentes Zelenskyy e Nawrocki é acalmar os ânimos e não alimentar as tensões.

“A linha da frente está noutro lugar”, escreveu Tusk no X.

A Ordem da Águia Branca

O ex-Presidente Andrzej Duda concedeu a Zelensky a Ordem da Águia Branca em 2023, em reconhecimento das suas contribuições para as relações bilaterais, a democracia, a paz e a segurança na Europa e pela “determinação na defesa dos direitos humanos inalienáveis”.

No entanto, Nawrocki (o seu sucessor, eleito no ano passado) afirmou em Maio que um conselho consultivo deveria ponderar a possibilidade de retirar a honra a Zelensky, depois de este ter assinado um decreto que reconhecia a contribuição de uma unidade das forças especiais ucranianas para a luta contra as forças russas, atribuindo-lhe o nome do EIU.

A decisão provocou indignação em todo o espectro político na Polónia. O antigo Presidente polaco e laureado com o Prémio Nobel da Paz, Lech Walesa, afirmou que deixaria de usar um crachá com a bandeira ucraniana e que, embora continuasse a apoiar o país na sua luta contra a Rússia, não apoiaria Zelensky.

Alguns ucranianos consideram os membros do EIU heróis pela resistência que opuseram à União Soviética e à Alemanha nazi e símbolos da luta de Kiev pela independência de Moscovo.

Mas o EIU também esteve envolvida nos massacres da Volínia, uma série de assassinatos ocorridos entre 1943 e 1945, nos quais, segundo a Polónia, cerca de 100 mil polacos foram mortos por nacionalistas ucranianos.

Milhares de ucranianos também morreram em ataques retaliatórios. Kiev tinha afirmado anteriormente que o nome tinha sido escolhido por soldados que pretendiam homenagear a luta do EIU contra Moscovo e que não tinham qualquer intenção de ofender a Polónia.

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