Preço do petróleo abaixo de 100 dólares, eventual acordo EUA-Irão anima bolsas

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O preço do petróleo arrancou esta semana com uma descida acentuada, na ordem dos 5% a 6%, no que se refere ao barril de Brent, que serve de referência mundial, a custar entre 96 e 98 dólares (nos contratos para entrega em Agosto), o mais baixo preço desde o início de Maio.

A possibilidade de um acordo entre EUA e Irão que permita reabrir o estreito de Ormuz parece ter aliviado as preocupações nos mercados em relação ao bloqueio no estreito de Ormuz, que é uma importante via marítima para o transporte de energia, cujo preço disparou desde que começou o conflito armado entre aqueles dois países e Israel, aliado dos EUA, em Fevereiro.

Nas bolsas mundiais que já abriram, este alívio em relação a riscos geopolíticos ou de falha do fornecimento de combustíveis também se nota.

Os principais índices estão a subir, com cotadas dos sectores do turismo e dos transportes a registarem os maiores ganhos na sua cotação. Na Ásia (que compra quantidades significativas de energia no Médio Oriente), o índice bolsista Nikkei, da praça de Tóquio, subiu quase 3%. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600, bem como o Dax, na bolsa de Frankfurt, sobem um pouco mais de 1% face à cotação de fecho de sexta-feira. As bolsas de Madrid e Paris registam variações semelhantes, ao passo que na de Lisboa, o índice PSI sobe cerca de 0,6% à hora da publicação desta notícia.

A praça de Londres permanece hoje fechada, devido a feriado. O mesmo acontecerá nos EUA com a bolsa de Nova Iorque (devido ao Memorial Day).

Os sectores em alta nas bolsas são as companhias aéreas e empresas ligadas ao turismo. A aviação civil, que tem vindo a alertar para o risco de ficar sem jetfuel até ao Verão, lidera os ganhos, nalguns casos. A Air France-KLM (potencial compradora da TAP) ganha 7,4%, a Easyjet sobe 5,7%. Pelo contrário, os sectores em queda são as empresas petrolíferas e de energia.

No último fim-de-semana, a Administração Trump anunciou que as probabilidades de haver uma saída negociada eram de “50/50”. Já nesta segunda-feira de manhã, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou a jornalistas que “há algo de bastante sólido em cima da mesa em termos da capacidade iraniana de reabrir o estreito de Ormuz”. Ainda assim, Teerão deita água na fervura e contrapõe que o acordo não está ao virar da esquina.

“Já passámos por isto e depois as negociações falharam. Por isso, a reacção do mercado vai ser mais cautelosa desta vez”, avalia Warren Patterson, analista de estratégia no banco ING, citado pela agência Reuters.

Ainda que o contexto seja de um optimismo cauteloso, o alívio no preço dos combustíveis, para níveis abaixo dos 100 dólares, já está a ser acompanhado por uma descida nos juros das dívidas soberanas e, no mercado monetário, está prestes a derrubar a cotação do dólar face ao euro.

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