Preços do petróleo caem mais de 10% com abertura do estreito de Ormuz

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O mercado recebeu o anúncio de abertura do canal de Ormuz com entusiasmo, antes mesmo de ser claro se a duração dessa abertura é apenas temporária. O preço do petróleo Brent, referência para a Europa, desceu 10%, ao início da tarde desta sexta-feira, para um valor inferior a 90 euros, mais concretamente para 89 dólares por barril.

A forte descida do petróleo, que durante o conflito no Médio Oriente já chegou a atingir os 116 dólares, aconteceu logo após o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi​, ter afirmado que, “em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Ormuz é declarada totalmente aberta durante o período restante do cessar-fogo”. Segundo o mesmo responsável, os navios seguirão a rota “coordenada e já anunciada” com a Organização Portuária e Marítima iraniana.

No mesmo sentido que o Brent, o barril de West Texas Intermediate, referência para os estados Unidos, e para entrega em Maio, caía 11,11%, para 84,17 dólares.

Contudo, os preços do petróleo ainda estão muito acima dos valores registados antes da ofensiva militar desencadeada pelos Estados Unidos e Israel sobre o Irão, no final de Fevereiro, e que no caso do Brent se situavam próximos dos 70 dólares por barril.

A notícia de abertura do canal surge numa altura de forte subida dos preços dos combustíveis – em consequência da redução na produção, refinação e transporte dos diferentes derivados do petróleo -, mas também quando existe algum receio de escassez de alguns deles, em particular aquele que é usado na aviação. Uma preocupação assumida pela Comissão Europeia, mas também pela Agência Internacional de Energia (AIE), ao afirmar que Europa dispõe de reservas dejet fuel para seis semanas. A AIE admite mesmo que poderá haver voos cancelados “brevemente” se a livre circulação de navios no estreito de Ormuz não for reestabelecida.

Há ainda questões de segurança a garantir. Citada pela Reuters, a Associação Norueguesa de Armadores salvaguardou que há vários factores que precisam de ser esclarecidos, incluindo a possível presença de minas marítimas. Também as seguradoras precisarão de garantias para reduzir as apólices de seguros, que, entretanto, disparam.

Antes do conflito, passavam diariamente pelo estreito de Ormuz mais de uma centena de navios por dia, com vários tipos de mercadorias, incluindo cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito do mundo, pelo que a normalização do fluxo demorará tempo. Dados recentes apontavam para cerca de dois mil navios parados no Golfo Pérsico.

Bolsas em forte alta

“Esta é claramente uma notícia positiva e deverá trazer algum alívio para os preços do petróleo e, eventualmente, também para os consumidores”, admitiu Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING, à Reuters.

Como seria de esperar, os principais índices bolsistas reagiram positivamente à notícia de desbloqueio do canal, com sectores como o da aviação a registar fortes valorizações (até agora um dos mais penalizados), e, em sentido contrário, os títulos das petrolíferas a sofrer quedas apreciáveis, mas ainda longe das fortes valorizações acumuladas.

O Stoxx 600 encerrou a ganhar 1,47%, mas com vários índices europeus a ficar próximo ou acima dos 2%. Foi o caso do Dax alemão (2,35%), do Cac de Paris (2, 97%) ou do Ibex espanhol (2,35%). O PSI, o principal índice da bolsa de Lisboa, arrastado pelo peso da Galp, que registou uma queda de 5%, fechou negativo (-0,51%).

Do outro lado do Atlântico, as bolsas seguem em alta, e a renovar novos máximos. O Dow Jones a registar a maior valorização, acima de 2%, seguida dos Nasdaq, a valorizar 1,5%, e o S&P 500 a não ir além de 1,3%.

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