Quase um terço dos partos em Portugal são de mulheres com mais de 35 anos

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A proporção de mulheres a ter filhos com mais de 35 anos em Portugal atingiu, em 2025, quase um terço do total: nos últimos 20 anos, a idade das parturientes tem vindo a aumentar e fixou-se, no ano passado, em 32%, de acordo com as estatísticas dos partos divulgadas nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O instituto indica ainda que, no último ano, se verificou um aumento no número total de partos no país, como, de resto, os dados do ​teste do pezinho já tinham revelado. Foram realizados um total de 87.130 partos, mais 3071 do que em 2024.

Olhemos para as idades das mães. Em 2003, a proporção de mães com 35 ou mais anos limitava-se a 17,2% do total, um número que subiu para os 32%, em 2025. São dados que sustentam a tendência de crescimento de mães tardias (com 35 anos ou mais) no país.

De acordo com o INE, no ano passado, 573 partos foram de mulheres entre os 45 e os 49 anos (em 2003 este número não ia além dos 196) e “o número de parturientes com 50 ou mais anos passou de seis [em 2003] para 51”. Também a proporção de mulheres com idades compreendidas entre os 40 e os 44 anos aumentou, passando de 3% para 7,3% do total.

A larga maioria das mulheres a ter filhos, porém, continua a ter entre 25 e 39 anos, representando 80,6% dos partos realizados em 2025 (70.182), “sendo que em 33,5% do total de partos as mulheres tinham entre 30 e 34 anos”.

Em 2025, ocorreram ainda 24 partos de raparigas com idades compreendidas entre dez e 14 anos.

Contrariando a queda registada entre 2023 e 2024, verificou-se um crescimento percentual de 3,7% no número de partos ocorridos no ano passado, o que permitiu recuperar “a tendência de crescimento que se vinha a verificar desde 2022”. A nível regional, o INE destaca o acréscimo relativo do número de partos ocorridos na região Norte (+5,9%).

A proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira foi, no conjunto do país, de 28,8%, verificando-se novamente uma subida, “com as parturientes de nacionalidade estrangeira a residirem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboae menor nas Regiões Autónomas, nas regiões Norte e Centro e no interior alentejano, explica o INE.

Mais de metade das mulheres eram de nacionalidade estrangeira em Aljezur (72,9%), Odemira (65,9%), Corvo (60,0%, com um registo total de apenas cinco partos), Albufeira (56,8%), Entroncamento (56,1%), Barreiro (53,8%), Amadora (53,3%) e Odivelas (45,5%).

O conjunto de nacionalidades estrangeiras mais representadas manteve-se em relação ao ano anterior, reforçando o peso no total de partos, com destaque para o Brasil (10,5% do total de partos em 2025).

Cesarianas aumentam

A larga maioria dos partos ocorreu num estabelecimento hospitalar (85.822), mas também houve quem tivesse nascido em casa (836 partos) ou noutro local (472). Quanto ao tipo de assistência prestada, a quase totalidade dos partos (99,0%) foram assistidos por médico (72,3%) ou enfermeira parteira (26,7%).

Como o PÚBLICO já noticiou, a proporção de partos distócicos (ou seja, com intervenções instrumentais como o fórceps e a ventosa, ou por cesariana) realizados em hospitais tem aumentado, representando desde 2009 mais de metade dos partos. Em particular, o número de cesarianas aumentou, entre 1999 e 2024, de 27,1% para 38,6% dos partos realizados em hospitais. Este aumento, tanto nos hospitais públicos como privados, está a ser avaliado para se perceber o que está a motivar essa evolução, como a ministra da Saúde já fez saber.

É uma matéria que está a ser avaliada porque se a taxa de cesarianas é importante e é importante mantê-la num determinado nível, temos que perceber porque está a a aumentar também no SNS, referiu Ana Paula Martins em Março, adiantando que a análise será feita ao Serviço Nacional de Saúde mas também ao sector privado.

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