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A insatisfação dos imigrantes em relação aos serviços prestados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) não para de crescer. Dados do Portal da Queixa apontam que, nos primeiros quatro meses do ano, o número de reclamações — 643 — aumentou 8,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o levantamento, 41,3% das queixas registradas pelos imigrantes no portal se referem aos processos administrativos envolvendo pedidos de autorização de residência, que se arrastam por anos, e a documentações que não são liberadas.
A lista de reclamações é engrossada pelas falhas no atendimento e pela baixa qualidade do serviço, conforme relato de 35,6% dos imigrantes que dependem da AIMA. Eles ressaltam dificuldades no contato com o órgão, falta de transparência e ineficiência no apoio ao cidadão.
Outros 6% dos reclamantes se queixam de atrasos e incumprimento de prazos, 5,9% assinalam falhas nos serviços digitais, 5,5% listam questões financeiras e 4,8%, preocupações legais e de conformidade. Procurada pelo PÚBLICO Brasil, a AIMA, cujos funcionários anunciaram greve para esta semana, não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Mulheres lideram queixas
O levantamento do Portal da Queixa aponta que Lisboa concentra 37,8% das reclamações contra a AIMA e as mulheres imigrantes (51,6%) são as que mais manifestam insatisfação ante os serviços prestados pela AIMA. A maioria dos reclamantes está em idade ativa, sendo que 69% do total das queixas se concentram entre cidadãos de 25 a 44 anos.
Também chama a atenção nos dados do portal a baixa taxa de resposta da AIMA às reclamações: apenas 14,7% dos imigrantes dizem ter tido retorno da agência, enquanto 15,4% deles conseguiram resolver os problemas. Esses números, segundo Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, refletem a percepção negativa que os imigrantes têm da AIMA.
“A análise dos números revela um cenário de crescente pressão sobre a AIMA, com aumento do volume de reclamações e manutenção de níveis reduzidos de resposta e resolução. Os dados reforçam a necessidade de melhoria dos processos administrativos, reforço do atendimento ao cidadão e maior eficiência na gestão dos serviços prestados”, diz.
Mesmo entre os funcionários da AIMA, as queixas sobre a atual situação da agência são grandes. Conforme comunicado do Sindicato dos Técnicos de Migração (STM), é “crescente a degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos”.
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