Queixas na ERC sobre declarações de Cristina Ferreira já são mais de quatro mil

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A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) já recebeu até esta segunda-feira 4200 participações sobre as declarações de Cristina Ferreira relativas à violação de uma menor, mais 900 que na passada quinta-feira, confirmou à Lusa fonte oficial.

A ERC adianta que “o total de participações actualizado ao dia de ontem [segunda-feira] ronda já as 4200”. A 16 de Abril, a reguladora tinha recebido 3300 participações relativas às declarações de Cristina Ferreira no programa Dois às 10, da TVI, confirmou então o PÚBLICO.

As participações encontram-se em apreciação pelos serviços da ERC, no seguimento do procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador, adiantou a mesma fonte.

Em causa estão as declarações de Cristina Ferreira na semana passada, no programa Dois às 10, sobre o caso dos quatro influencers acusados de, em 2025, em Loures, terem violado uma adolescente de 16 anos e filmado, que começaram a ser julgados à porta fechada a 13 de Abril.

“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais’”, questionou a apresentadora no programa da TVI, motivando as queixas à ERC e a polémica que estalou nas redes sociais.

Na sequência das queixas, lideradas pelo Movimento Democrático de Mulheres, a TVI emitiu um comunicado em que rejeitava as acusações de banalização de um caso de violação, afirmando que a pergunta colocada por Cristina Ferreira foi descontextualizada e alvo de “manipulação grosseira”.

“A pergunta aconteceu, o comentário não e muito menos a expressão da banalização do crime”, referiu a TVI, que criticou ainda a propagação de acusações nas redes sociais, que considera serem feitas de forma “gratuita e leviana”, indicando que irá recorrer aos tribunais para repor a justiça.

Na semana passada, a Lusa contactou a empresa e questionou quem escreveu o comunicado, perguntou ainda se o director-geral da TVI, José Eduardo Moniz, e o presidente executivo (CEO) da Media Capital, Pedro Morais Leitão, consideram que aquela comunicação da TVI espelha a posição do grupo. Fonte oficial respondeu que “o comunicado é da TVI”.

Nesta terça-feira, Cristina Ferreira, que é também directora de Entretenimento e Ficção do canal, vai dar uma entrevista no Jornal Nacional daquela estação para esclarecer as suas declarações. A apresentadora já tinha reagido em comunicado na quinta-feira, onde garantia que as palavras proferidas não representavam uma “opinião pessoal sobre o tema”. E declarava: “Independentemente da interpretação que cada pessoa possa ter retirado das minhas palavras, nunca tive qualquer intenção de justificar o alegado comportamento em causa.”

Na mesma nota publicada nas redes sociais dizia que é de “lamentar o nível de ataques” de que estava a ser alvo, justificando que era necessário fazer a distinção entre “a liberdade de opinião”, que diz praticar na sua vida e incentivar no espaço público, e os “exercícios de puro ódio pessoal”.

Depois disso, um grupo de uma centena de personalidades, entre eles académicos, investigadores e até influencers, assinaram uma carta aberta onde repudiavam as palavras da apresentadora e defendiam que “a violação não é matéria de opinião”, solicitando à Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), bem como à comunicação social para que o tema seja tratado por especialistas. A OPP reagiu, esclarecendo que essas regras já existem.

No fim-de-semana, a também apresentadora Catarina Furtado, fundadora da associação Corações com Coroa, que se dedica ao empoderamento de meninas e jovens raparigas, publicou a sua opinião sobre o tema, lembrando a “responsabilidade de ter um microfone” em aberto, mas garantindo que não se tratava de um ataque directo a Cristina Ferreira.

“O que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe, de facto, a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta”, lamentou, lembrando a postura da apresentadora em episódios anteriores. “Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres que se dizem não feministas e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género e, em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera”, escreve.

E apelou: “Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos”.

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