Recolher obrigatório e caos: tensão aumenta em centro de detenção de imigrantes em Nova Jérsia

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O centro de detenção de imigrantes Delaney Hall, em Newark, Nova Jérsia, tem sido palco nos últimos dias de confrontos entre manifestantes, que protestam contra as alegadas condições desumanas dos detidos, apoiantes das políticas anti-imigração de Donald Trump e forças de segurança.

Há nove dias, os cerca de 300 detidos do centro entraram em greve de fome e de trabalho contra o que descrevem como as condições desumanas em que vivem, exigindo serem libertados. Cá fora, começaram a concentrar-se familiares e activistas em solidariedade, mas progressivamente a situação escalou, com distúrbios entre os dois lados da barricada das políticas anti-imigração e agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE)

Numa altura em que vigora um recolher obrigatório durante a noite em torno das instalações, a governadora Mikie Sherrill veio no sábado responsabilizar “agitadores” de fora do estado pelo escalar da tensão que se acumula há mais de uma semana, depois de ter apontado o dedo aos agentes do ICE pelo agudizar da violência.

Segundo a governadora, cinco dos seis detidos na sexta-feira não eram de Nova Jérsia. Sherill alertou ainda que “grupos nacionais extremistas” se tinham juntado aos protestos no sábado.

“Vocês não deveriam estar aqui”, disse. “Não estão a ajudar as pessoas detidas em Delaney Hall. Não estão a ajudar as famílias dos detidos e não estão certamente a manter Nova Jérsia segura.”

Na sexta-feira, perante o recrudescimento da violência, a governadora deu ordens à polícia do estado para assumir o controlo do exterior do centro, onde manifestantes se encontram acampados em protesto.

O presidente da câmara de Newark, Ras Baraka, impôs um recolher obrigatório nocturno a partir da madrugada de domingo na área de 800 metros ao redor de Delaney Hall.

“A partir das 00h00, a Avenida Doremus será encerrada para toda a circulação pedonal. O acesso de veículos estará estritamente limitado para aqueles que tenham actividades oficiais verificadas na zona. Este recolher obrigatório mantém-se em vigor todas as noites, das 21h às 6h, até aviso em contrário”, anunciou o autarca na rede social X.

Além disso, foram criadas, na sexta-feira, “zonas de protesto protegidas”, após dias de confrontos entre manifestantes e agentes federais no exterior de Delaney.

“É exactamente aí que temos de nos concentrar neste momento, defendendo melhores condições para os que estão dentro das instalações”, apelou Sherrill. “Não podemos deixar que o que está a acontecer fora de Delaney Hall nos afaste dessa missão.”

A governadora, que tem vindo a apelar ao encerramento de Delaney Hall, tentou visitar o centro, mas viu a sua entrada recusada pelo ICE no início desta semana. Mostrou-se ainda “grata à grande maioria dos manifestantes que se reuniu pacificamente e levantou a voz sobre as condições de Delaney Hall”.

ICE debaixo de fogo

Com mais de mil camas, Delaney Hall é o maior centro de detenção do ICE na costa leste dos EUA e é gerido pela empresa Geo Group (GEO.N), ao abrigo de um contrato de 15 anos feito com o Serviço de Estrangeiros e Alfândegas no valor de mil milhões de dólares. Tem enfrentado graves denúncias de sobrelotação, falta de cuidados médicos e insalubridade, desde o início da campanha de deportações em massa do Presidente Donald Trump.

O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, negou as alegações sobre as condições do centro e elogiou a governadora por, “após dias de recusa”, permitir o envolvimento da polícia estadual, descrevendo-o como uma “vitória para a lei e a ordem”.

Já Sherrill, uma democrata, sugeriu que as autoridades federais pioraram a situação, com o ICE a bater em manifestantes com cassetetes e a tomar medidas que considera serem inapropriadas para o controlo das multidões. “Têm aumentado as tensões de uma forma que não contribui para a segurança pública.”

A governadora afirma que o seu objectivo é garantir protestos pacíficos e a segurança pública — e evitar uma vaga de agentes federais.

“O nosso objectivo agora é garantir que o ICE não tem qualquer pretexto para agravar esta situação”, afirmou em conferência de imprensa.

Noutros estados, confrontos entre agentes do ICE e manifestantes já se tornaram, por vezes, violentos, nomeadamente no Minnesota, onde agentes federais dispararam mortalmente sobre duas pessoas e feriram outras.

A polícia estadual tentou criar áreas para os manifestantes se reunirem pacificamente, disseram as autoridades de Nova Jersey. Mas os manifestantes, que receberam ordem de dispersão na sexta-feira à noite, cercaram um veículo da polícia e ameaçaram os agentes, relatou o tenente-coronel David Sierotowicz no sábado.

Alguns terão sido vistos a retirar máscaras faciais e de gás, fogo-de-artifício, pedras e outros projécteis de uma zona de tendas próxima.

Um vídeo captado na sexta-feira mostrava agentes a avançar com escudos antimotim e a disparar gás lacrimogéneo perante a multidão. Sierotowicz disse que foram usadas tácticas normais para fazer recuar a multidão, não se tendo registado ferimentos significativos entre os manifestantes ou agentes. “Não estávamos a atacar ninguém ontem à noite”, declarou.

As autoridades têm vindo a reforçar que os protestos são aceitáveis desde que se mantenham pacíficos. Ao meio da tarde de sábado, dezenas de manifestantes gritavam palavras de ordem, mas permaneciam atrás das barreiras montadas pela polícia.

“Hoje e daqui para a frente, exorto as pessoas que estão a protestar no exterior de Delaney Hall a serenarem os ânimos, para que nos possamos concentrar nos detidos e nas suas famílias”, disse a governadora.

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