O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira, em comunicado, que milhares de doentes vão começar a beneficiar de um novo tratamento de imunoterapia, através de uma injecção, que pode ser usado para tratar diversos tipos de cancro.
Desde 2025 que cerca de 14 mil doentes já usavam pembrolizumab (Keytruda) por via intravenosa, o que os obrigava a passar longos períodos no hospital, a receber soro intravenoso para que o medicamento entrasse no organismo. A preparação e administração do medicamento também eram demoradas e dispendiosas para as equipas do NHS, que passaram cerca de duas horas por sessão com cada paciente.
A forma injectável do pembrolizumab mata as células cancerosas ao bloquear uma proteína chamada PD-1, que actua como um travão nas respostas imunitárias, permitindo que o sistema imunitário reconheça e ataque as células do cancro.
O NHS afirma que a nova versão injectável, que passará a ser utilizada na maior parte dos 14 mil doentes, deve reduzir o tempo do procedimento para apenas alguns minutos, economizando “tempo valioso para doentes e profissionais de saúde”, num total de mais de 100 mil horas de tempo de preparação e tratamento a cada ano.
O medicamento pode ser utilizado para tratar 14 tipos diferentes de cancro, incluindo do pulmão, cabeça e pescoço, colo do útero e mama. Na nova forma injectável, o tratamento será administrado a cada três semanas como uma injecção de um minuto ou a cada seis semanas como uma injecção de dois minutos, dependendo do diagnóstico do doente.
Shirley Xerxes, de 89 anos, que reside em St Albans, a cerca de 35 quilómetros de Londres, foi uma das primeiras doentes a receber a injecção. “Não consigo acreditar que demorou tão pouco tempo. Estive na cadeira durante alguns minutos, em vez de uma hora ou mais. Fez uma grande diferença, dá-me mais tempo para viver a minha vida, inclusive para cuidar do jardim”, referiu, citada no comunicado que anuncia a nova forma de tratamento.
Para Peter Johnson, director clínico nacional do NHS para o cancro, esta imunoterapia é uma “tábua de salvação para milhares de doente”. “Gerir o tratamento do cancro e as visitas regulares ao hospital pode ser extenuante. Esta inovação não só tornará muito mais rápida e conveniente para os pacientes, como também ajudará a liberar consultas vitais para que as equipes do NHS tratem mais pessoas e continuem a reduzir os tempos de espera”, disse, também citado no comunicado.
Autorizado em Portugal desde 2023
A imunoterapia é uma forma de tratamento oncológico que estimula o sistema imunitário a identificar e destruir células cancerosas, que se podem esconder do próprio sistema imunitário do corpo ao produzir proteínas que enviam um “sinal de stop”, dizendo às nossas células imunitárias para não as atacarem. A imunoterapia funciona ao bloquear este sinal, permitindo que as células cancerosas sejam reconhecidas e destruídas mais facilmente. Foi esta descoberta que rendeu o Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia de 2018 aos investigadores James P. Allison e Tasuku Honjo.
No ano passado, no Reino Unido, cerca de 15 mil doentes com cancro tornaram-se elegíveis para tomar nivolumab (Opdivo), outra injecção de imunoterapia que demora entre três a cinco minutos a ser administrada. Com o anúncio da pembrolizumab, existem agora duas imunoterapias disponíveis para tratar quase 30 tipos de cancro no NHS.
O Keytruda foi um dos primeiros medicamentos de imunoterapia a serem aprovados, inicialmente para centro de pele e posteriormente para outras formas da doença, e é actualmente o medicamento de prescrição mais vendido no mundo, com vendas globais de 30 mil milhões de dólares (mais de 25 mil milhões de euros) em 2025, segundo dados da BBC.
Por cá, o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde autorizou o uso do medicamento pembrolizumab no tratamento do cancro da mama triplo negativo metastático, do colorrectal metastático, do colo do útero persistente, do esófago metastático, carcinoma das células renais em adultos e alguns casos de melanoma em Julho de 2023. Segundo a informação disponível no site do Infarmed, o medicamento, de uso em meio hospitalar, passa a ser autorizado no tratamento de diversos tipos de cancro, nalguns caso em monoterapia e noutros, conjugado com outros medicamentos.
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