Restaurantes: Por Lisboa, em redor das cozinhas asiáticas

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A riqueza culinária do Oriente não se resume num parágrafo, mas este pequeno roteiro de mundos à mesa por Lisboa ajuda a desenhar uma introdução. Estraguemos já a surpresa: os Vinhos Verdes dão-se bem com estas combinações variadas de especiarias, frescura e umami.

Baan Saraiva’s

O restaurante Saraiva’s, um clássico dos anos 1970, transformou-se em Baan Saraiva’s há três anos. Agora é uma casa dedicada à comida típica tailandesa.

Fica muito perto do topo norte do Parque Eduardo VII, no centro de Lisboa, e é um espaço simples, mas moderno e agradável. Tem uma boa oferta, principalmente bem demonstrativa do que é a comida daquele país do Sudeste Asiático – bem confeccionada e em doses generosas, sob a batuta do hábil chef Songtham.

Porquê Baan ligado ao nome original? Porque “baan” em tailandês significa “casa”, “lar”, e é muito usado em nomes de restaurantes para indicar comida caseira ou reconfortante.

Refira-se, para os mais curiosos, que no antigo Saraiva’s, publicitado como um local de comida genuinamente portuguesa, era oferecido um prato tailandês que, segundo as críticas da época, não era muito festejado.

Voltemos à cozinha tailandesa, genuína, feita por tailandeses. A culinária deste país asiático, onde o camarão e os amendoins não podem faltar, é caracterizada pela combinação de especiarias que pode juntar no mesmo prato sabores doces, apimentados, ácidos e salgados, combinando ingredientes como frutos, pimentas, sumo de lima, tamarindo, soja e molho de peixe, característicos e fundamentais de praticamente toda a comida desta parte do mundo.

Neste espaço lisboeta de alma e corpo tailandês, que Caroline e Jerome gerem com muita simpatia, a iguaria mais pedida é pad thai (21 euros), considerado o prato nacional da Tailândia. Traduzindo, são noodles misturados num wok bem quente com camarões, tofu, ovos, amendoins, cebolinho, rebentos de feijão, rabanete em picle e molho de tamarindo, tudo temperado generosamente com molho de soja.

A ementa contempla mais de três dezenas de opções, começando com os xāh̄ār ẁāng, que se pode traduzir por “lanche” (na carta diz “snack”), nada menos do que cinco sugestões, a mais interessante chamada miang goong (camarão-tigre preto, compota de piripíri, erva-limão, folha de lima kaffir).

Depois vêm as saladas, afinal pratos de resistência, com quatro opções, sendo que a mais chamativa parece ser a laab moo, uma salada de carne de porco picada, pó de arroz torrado, flocos de pimenta, sumo de lima, cebolinha, coentros e hortelã. Seguem-se as sopas e as iguarias no wok. Nas especialidades, seis opções, três de carne e outras tantas de peixe, a preços entre os 35 e os 23 euros.

Os clientes são portugueses, na sua maioria, completando-se a frequência com estrangeiros que vivem em Portugal e turistas. O restaurante dispõe de 70 lugares, 16 deles num espaço reservado.

Quanto aos vinhos, há cerca de duas dezenas de referências, onde estão presentes três da região dos Vinhos Verdes.

Rua Eng. Canto Resende 3, Lisboa (Parque Eduardo VII)
Tel.: 924948523
Das 12h00 às 14h30 e das 19h00 as 22h30
Não encerra
Preço médio: 35 euros

Asitique

Na visita à cozinha do Vietname, escolhemos um pequeno restaurante lisboeta, de bairro, misto de bistro e cafetaria. O Asitique é luminoso, tem apenas 26 lugares no interior (outros tantos na esplanada) e oferece, sem grandes arrebiques, boa comida e serviço simpático, desde 2023.

A cozinha vietnamita, tal como a dos outros países do Extremo Oriente, sofreu fortes influências dos seus vizinhos.

É rica em vegetais, carne de porco e de galinha, especiarias e ervas, tudo tratado com molho de soja ou de peixe, resultando numa surpreendente combinação de receitas nutritivas e deliciosas, com muito pouco óleo – pode-se até considerá-las bastante saudáveis. Pode notar-se uma ligeira influência francesa, fruto da ocupação entre 1880 e 1954, mas os vietnamitas souberam dar-lhe a volta à sua maneira.

Como entrada, servem de exemplo os wonton dumplings, pequenos bolinhos recheados com uma pasta que leva carne de porco picada, e vegetais (cebolinho e cogumelos), tudo temperado com molho de soja e gengibre, cozidos ao vapor.

Como principal, o thut kho tau, que significa sensivelmente carne grelhada ou assada. No prato, muito saboroso, barriga de porco caramelizada, num processo lento, servida com arroz e vegetais.

Hum Pham, dono e gerente, é também o chef e, segundo ele, a esmagadora maioria dos frescos, incluindo a carne e peixe, são de origem portuguesa. Já os molhos e temperos, esses têm de ser importados.

Avenida 5 de Outubro, 52A, Lisboa (Saldanha)
Tel.: 913386190
Das 12h às 15h e das 19h às 22h30
Encerra ao domingo
Preço médio: 30 euros (menu de almoço: 11,50 euros)

A bebinca, “rainha das sobremesas goesas”, é um bolo de camadas tradicional da culinária indo-portuguesa, feito com gemas de ovo, leite de coco, açúcar, farinha, manteiga clarificada e especiarias.
Rui Gaudêncio/Arquivo Público

Zuari

Pequeno, confortável e acolhedor são as palavras que melhor definem o restaurante Zuari, uma jóia da boa comida goesa em Lisboa. Existe há quase 50 anos, ocupando um espaço bastante reduzido com meia de centena de lugares, na zona de Santos. Orlando, Sheila e Deborah – pai, mãe e filha – fazem um excelente trabalho, com cozinha e serviço de louvar.

A ementa compõe-se de cinco pratos de peixe, seis de carne e outras tantas sobremesas.

A chamuça, crocante e bem recheada, não poderia faltar nas entradas. Já nas carnes, ganha protagonismo o vindalho ou vindaloo (nome derivado da vinha de alhos portuguesa), confeccionado tradicionalmente com carne de porco marinada em vinagre, alho e especiarias – sabor intenso, forte e picante, com molho espesso.

Outra estrela é o sarapatel, feito com carne e miúdos de porco (fígado, coração, rim) ou borrego, cozinhados num refogado rico com sangue coalhado, especiarias, vinagre e ervas. A receita, diz-se, terá sido levada para a Índia por marinheiros oriundos do Norte do Alentejo, onde ainda hoje é popular, com o mesmo nome, embora não tão picante.

A acompanhar, apa, o famoso pão goês de farinha e manteiga, que se enrola num saboroso achar de limão.

Para as crianças, ou para quem não gosta mesmo de picante, existe o korma, prato suave, feito de pedaços de frango com coentros e especiarias.

À sobremesa, as atenções centram-se na bebinca, a “rainha das sobremesas goesas”, um bolo de camadas tradicional da culinária indo-portuguesa, feito com gemas de ovo, leite de coco, açúcar, farinha e ghee (manteiga clarificada), aromatizado com noz-moscada e, por vezes, cardamomo.

A carta de vinhos tem 10 referências, duas das quais de Vinhos Verdes.

Rua de S. João da Mata 41, Lisboa (Santos)
Tel.: 213977149
Das 12h às 14h30 e das 19h às 21h30
Encerra domingo ao jantar e à segunda
Preço médio: 25 euros

Nasi goreng, no Soão Taberna Asiática
DR

Soão Taberna Asiática

O Soão Taberna Asiática é um caso sério de diversidade no que toca à oferta culinária de vários países asiáticos – um atlas de mesa onde cabem Indonésia, Tailândia, Vietname, Coreia, Japão e Índia.

Foquemo-nos na cozinha indonésia, por esta vez. O nome nasi goreng udang parece complicado, mas apenas significa “arroz frito com camarão” (se for nasi goreng ayam, a proteína utilizada é a galinha). Tudo muito bem preparado e primorosamente apresentado, com a mestria do chef Carlos Santos.

A decoração reflecte bem o conceito do restaurante, com bom gosto e peças de autor de variados países, onde também se destaca o trabalho de alguns artistas e artesãos portugueses. Em cada detalhe, uma breve memória de lugares longínquos. É bem verdade que o Soão traz a Ásia para dentro de Lisboa.

A casa abriu as portas em 2018 e oferece três ambientes aos clientes: a esplanada, a sala na entrada, onde se serve algo mais ao estilo de comida de rua, e os gabinetes no andar de baixo, mais intimistas e aconchegados.

Os clientes são, na sua esmagadora maioria portugueses – famílias, reuniões de trabalho, casais e muito poucos turistas.

Nas bebidas, há uma boa oferta de cocktails, chás, refrigerantes, cervejas, saké e vinhos, incluindo champanhes e espumantes portugueses, e uma boa garrafeira com perto de meia centena de referências, incluindo meia dúzia da região dos Vinhos Verdes – que ligam na perfeição com os manjares asiáticos.

Avenida de Roma, 100, Lisboa (Alvalade)
Tel.: 21053449
Das 12h30 às 15h30 e das 19h às 23h; sexta e sábado, até às 00h
Não encerra
Preço médio: 40 euros


Este artigo foi publicado na edição n.º 19 da revista Singular. A Singular é uma revista do PÚBLICO com o apoio da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. A Singular é uma publicação estritamente editorial, concebida, produzida e editada pela redacção do PÚBLICO com total independência e em cumprimento das regras internas para conteúdos apoiados. ​Pode saber mais sobre a política de conteúdos apoiados do PÚBLICO neste artigo.

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