O Eufrates moldou a geologia da Ásia ocidental durante milhões de anos e, segundo com um novo estudo, este rio pode ter-se formado há 3,6 milhões de anos a partir de dois sistemas fluviais distintos.
Compreender a evolução deste curso de água, que se estende por cerca de 3000 quilómetros desde a Turquia até ao golfo Pérsico, é crucial para traçar o desenvolvimento subsequente das sociedades que floresceram nas suas planícies aluviais, segundo uma investigação liderada pela Universidade da Austrália Ocidental.
O Eufrates “originou-se de dois sistemas fluviais distintos que desaguaram brevemente numa bacia marinha, atravessaram quatro placas tectónicas, convergiram e finalmente desaguaram num golfo”, pode ler-se no artigo científico publicado na edição desta semana da revista Nature Geoscience, citado pela agência de notícias Efe.
Especificamente, o estudo sugere que dois rios, o Paleo-Karasu e o Paleo-Murat, fluíam pelo que são hoje a Turquia e a Síria, desaguando numa bacia do mar Mediterrâneo que tinha secado parcialmente durante a crise de salinidade do Messiniano.
A causa desta crise, que ocorreu entre há 5,97 e 5,33 milhões de anos, foi o encerramento da ligação entre o mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico devido à actividade tectónica.
Os autores do artigo propõem que a actividade tectónica subsequente fez com que o Paleo-Murat se deslocasse para sudeste, em direcção ao golfo Pérsico, e que o Paleo-Karasu se juntou algum tempo depois.
Estes desvios acabaram por criar um único sistema fluvial que se tornou o actual rio Eufrates, que desagua no golfo Pérsico, levando potencialmente ao desenvolvimento do Crescente Fértil.
Os autores salientam que algumas incertezas permanecem devido à dificuldade de reconstituir antigos cursos fluviais e ao facto de as suas descobertas se basearem em modelos, e não em provas directas de campo.
Assim, sugerem que trabalhos futuros para verificar e refinar esta história proposta exigirão mais observações de campo e métodos de datação melhorados. Mas acreditam que as suas conclusões proporcionarão uma compreensão mais completa da evolução espaço-temporal dos sistemas fluviais da Ásia ocidental e oferecerão um contexto mais profundo para os processos terrestres que lançaram as bases para uma das civilizações mais antigas do mundo.
Para a investigação, a equipa de cientistas examinou imagens sísmicas de sedimentos enterrados, mapas de antigos depósitos sedimentares e modelos de transporte de sedimentos fluviais.
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